O budismo, religião praticada por cerca de 40% dos japoneses, está enfrentando sua maior crise existencial no Japão desde que foi introduzido pela Coréia, no século VI. Ao longo dos próximos 25 anos, estima-se que 27 mil dos 77 mil templos do país irão fechar as suas portas por falta de recursos financeiros.

[img align=left width=300]http://www.ipcdigital.com/wp-content/uploads/2015/11/dfbfgbfg-23-700×357.jpg[/img]O declínio do número de templos reflete a realidade do desaparecimento de centenas de comunidades no interior do Japão, que ajudam a manter os sacerdotes e templos locais. Em um relatório divulgado no ano passado, o Conselho de Política do governo japonês advertiu que, se o êxodo de áreas rurais continuar no atual ritmo, quase metade dos municípios do Japão irão desaparecer até 2040, juntamente com seus locais de culto religioso.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Hidenori Ukai, sacerdote do templo Shogukuji, de Kyoto, disse que sem frequentadores para pagar pela manutenção, os templos não tem outra escolha a não ser fechar as portas.

“A imagem popular do sacerdote budista como uma pessoa rica por ser verdade em grandes cidades como Tóquio e Osaka, mas não é o caso de outros lugares”, disse o sacerdote ao jornal. “No meu templo, temos cerca de 120 frequentadores, mas você precisa de pelo menos 200 para conseguir manter um sacerdote, completou.

Com 1,3 milhões de mortes registradas no ano passado, nem mesmo a industria funerária do Japão está conseguindo socorrer os templos budistas. Muitas famílias estão deixando de realizar um funeral budista tradicional devido ao custo milionário de uma cerimônia.

Para tentar desassociar a forte imagem com funerais e morte, alguns sacerdotes estão diversificando e abrindo os templos para reuniões de voluntariado, apresentações musicais e de teatro. Em Tóquio, alguns templos se transfomaram em cafés e bares, sem restrições ao consumo de bebidas alcoólicas.

A crise do budismo japonês não é apenas uma questão demográfica. No início dos anos 1700, o Japão tinha cerca de 30 milhões de habitantes – quase 100 milhões a menos do que hoje – e tinha cerca de 46 mil templos. Pesquisas mostram que um número crescente de japoneses consideram as religiões organizadas como “inacessíveis”, “melancólicas” e até mesmo “perigosas”.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi, mais de 12 mil templos não têm um sacerdote residente. Suprir essa demanda também não é uma tarefa fácil com o baixo interesse dos jovens pela “profissão”.

[b]Fonte: IPC Digital[/b]