O líder espiritual exilado do Tibet, o Dalai Lama, se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na Casa Branca, em Washington, nesta terça-feira, num desafio a uma advertência da China de que isso prejudicaria seriamente as relações sino-americanas.

A China também está irritada com uma cerimônia que deverá se realizar nesta quarta-feira no Congresso americano, em que o Dalai Lama receberá a mais alta condecoração a um civil dada no país – a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos.

Bush deverá comparecer ao evento.

O ministro do Exterior da China, Yang Jieche, pediu aos Estados Unidos o cancelamento desta cerimônia que, segundo ele, interferiria nos assuntos internos de seu país.

Mas uma porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que o encontro de Bush com o Dalai Lama, que ocorreu na ala privada da sede do Executivo, não teve o objetivo de provocar a China.

Este foi o terceiro encontro entre Bush e o líder tibetano, de 72 anos, nos últimos seis anos mas, segundo correspondentes, a visita do Dalai Lama a Washington ocorre em um momento delicado, quando a atual liderança chinesa está formulando seus planos no Congresso do Partido Comunista, em Pequim, que se realiza a cada cinco anos.

O Dalai Lama vive em exílio na Índia desde um levante fracassado contra o domínio chinês no Tibet em 1959.

O governo da China diz que o líder espiritual, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1989, está procurando destruir a soberania do país ao encorajar a independência do Tibet.

O Dalai Lama insiste que quer “autonomia real”, e não independência para a região, que a China alega ser seu território há séculos e que os chineses dominam desde que forças comunistas invadiram o Tibet, em 1951.

Fonte: BBC Brasil