A frase “Só Jesus expulsa o demônio das pessoas” está escrita em diversos muros de avenidas e estações de trem no Rio. Ninguém sabe sua autoria, que datam do início dos anos 2000 e geraram o bordão “Só Jesus”.

A inscrição, no entanto, ganhou versões que ofendem religiões de matriz africana e fez com que um grupo de candomblecistas começasse o projeto “Onde se pinta o respeito, se apaga a intolerância”.

“Me incomodava ir todo o dia para o trabalho e ver frases ofendendo os meus orixás, dizendo que eles são demônios”, afirmou a mãe de santo Ignez Teixeira, 45, coordenadora do projeto, iniciado na última sexta-feira (20).

Juntamente com ogãs (membros da casa que tocam atabaque), Ignez apagou dez frases com dizeres ofensivos nos muros das estações de trem de Nilópolis, na Baixada Fluminense.

“As frases eram ‘Só Jesus expulsa Ogum, Iemanjá, ou Tranca-Rua das pessoas’. Ao lado delas, também tinha a versão original. Entendemos que estavam demonizando nossos orixás”, disse.

As fotos da ação de pintura foram postadas nas redes sociais, e receberam críticas de alguns evangélicos.

“Por que apagaram a frase original? É uma intolerância contra a minha religião”, afirmou um internauta.

O pastor Daniel Rangel, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, concordou com Ignez.

“O problema é colocar a frase original ao lado dessas variações. Há outras formas de fazer proselitismo, sem utilizar a agressão”, disse.

A mesma opinião tem o pastor Silas Malafaia, líder do ministério Vitória em Cristo.

“Tem maluco em tudo que é lugar. Um cara que escreve uma frase agressiva dessas não segue o Evangelho. Mas concordo que só Jesus poderia expulsar o demônio de alguém”, afirmou.

No lugar das inscrições, Ignez pintou, com o auxílio de um grafiteiro, mensagens de promoção ao candomblé e à umbanda.

“Recebemos apoio de muitas pessoas que não são da minha religião. Garis passaram e aplaudiram. As pessoas estão cansadas do ódio e se manifestam quando veem ações afirmativas”, opinou.

Segundo Ignez, a ideia é levar o projeto para outros municípios do Rio. A próxima ação está agendada para dezembro.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]