A cantora de música gospel da Eritréia, Helen Berhane, chegou na última sexta-feira a um país europeu que lhe concedeu asilo político, quase um ano depois de ser libertada. Inicialmente ela havia pedido asilo ao Reuno Unido, mas devido à demora no processo, acabou buscando refúgio em um outro país europeu, cujo nome não foi divulgado.

Apesar de não conseguir caminhar sem ajuda, por causa dos açoites sofridos durante o período em que esteve presa, Helen e sua irmã sabiam que não poderiam permanecer na Eritréia e fugiram para o Sudão em dezembro de 2006.

Ela se manteve discretamente em Cartum nos últimos 11 meses, onde tempos depois pode se encontrar com a filha. O estado de saúde de Helen é frágil e ela necessitará de cuidados médicos especiais.

Milhares de eritreus estão fugindo o país deles a cada mês, de acordo com a ONG Christian Solidarity Worldwide (CSW). Em resposta a isso, o governo da Eritréia vem executando publicamente qualquer pessoa que seja encontrada ajudando os fugitivos.

O homem que facilitou a fuga da filha de Helen para o Sudão foi morto. Relatos de fontes locais dizem que depois da execução, o corpo dele foi colocado em um saco e sem qualquer tipo de cerimônia, depositado na frente da casa do pai dele.

Repercussão internacional

Helen Berhane, 32 anos, é uma dentre tantas pessoas perseguidas na Eritréia por causa de sua fé. O caso dela ganhou ampla repercussão internacional. No Brasil, ficou conhecido após o apoio da cantora Fernanda Brum (leia mais).

Sabe-se que Helen Berhane passou longos períodos trancafiada em contêineres e celas subterrâneas no acampamento militar de Mai-Serwa porque se recusou a assinar um papel retratando sua fé e prometendo não participar mais de atividades relacionadas à igreja. Durante o dia o calor era sufocante e à noite, o frio era extremo.

Ela era fazia parte da Igreja Pentecostal Rema e foi encarcerada em maio de 2004 depois de lançar um álbum de música gospel que foi muito bem recebido pelos jovens cristãos erítreos.

No início de 2006, Helen Berhane foi severamente espancada por um guarda e chegou a ser dada como morta. Como ela não recebeu tratamento médico adequado, ainda possui sinais e seqüelas dos maus tratos físicos que a deixaram incapacitada de andar.

Fonte: Portas Abertas