A captura do “profeta” de uma seita polígama nos Estados Unidos durante a semana foi considerada uma vitória para o FBI, que chegou a colocá-lo na lista dos mais procurados.

Para a Justiça americana, no entanto, continua sendo duro lutar contra esta prática de raízes ancestrais em Utah (oeste).

Warren Jeffs, um homem alto, magro e pálido de 50 anos, detido no início da semana no estado vizinho de Nevada (oeste) em uma blitz de rotina no trânsito, será extraditado para Utah, onde é acusado de cumplicidade em um estupro, o que pode lhe custar a prisão perpétua.
Já no Arizona (sudoeste), este homem, que dizem ter pelo menos 50 mulheres, é acusado de suposta agressão sexual a um menor.

O “profeta” da igreja fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma seita de inspiração mórmon integrada por cerca de 10.000 pessoas, aceita que os homens tenham mais de uma esposa. Jeffs, como um de seus líderes, foi incluído na lista dos dez homens mais procurados pelo FBI, assim como o chefe da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

O fato de Jeffs figurar nesta lista “parece excessivo, ainda que as autoridades tenham concentrado suas esforços nos crimes sexuais contra os menores”, explicou à AFP o antropólogo especialista em mormonismo David Knowlton, da Universidade de Utah, um Estado onde 70% da população é mórmon.

Aparentemente, Jeffs teria organizado “casamentos” ilegais entre adolescentes ou pré-adolescentes e homens mais velhos dentro da seita, da qual era líder absoluto.
A maioria dos membros desta seita fundamentalista vive nas cidades vizinhas de Hildale (sudoeste de Utah) e Colorado City (noroeste do Arizona), áreas que pertencem 100% à organização, o que dificulta ainda mais a aplicação da lei, destacou o porta-voz de Departamento de Justiça de Utah, Paul Murphy.

“O que nos preocupa é que eles estão muito fechados em si mesmos e controlam a câmara municipal e a polícia”, de modo que “as vítimas (de abuso) nesta comunidade não podem se beneficiar da mesma ajuda que os outros” habitantes de Utah, explicou Murphy à AFP.

Embora a poligamia ainda possa, em tese, ser punida com cinco anos de prisão, a Justiça de Utah renunciou nos atos a processar os polígamos, quando se trata de uma relação entre adultos.

“É uma questão de recursos. Existem 37.000 membros de famílias polígamas em Utah. Se prendermos todo mundo, isso significará 10.000 homens presos e 27.000 mulheres e crianças pelos quais os serviços sociais teriam de se responsabilizar”, completou Murphy.

Esse é um dos maiores problemas, avaliou o professor Knowlton, porque muitas famílias polígamas vivem de subsídios estaduais e federais, já que as mulheres se declaram como mães solteiras.

Ainda assim, a Justiça age apenas quando se trata de “poligamia relacionada com outros crimes, como abuso sexual de menores, incesto, violência conjugal e fraude fiscal”.

A Igreja oficial mórmon, que diz contar com 12,5 milhões de membros no mundo, destacou nesta semana enfaticamente que nada tem a ver com a seita fundamentalista de Jeffs e que não apóia a poligamia, destacando que, se qualquer um de seus membros adotar a prática, será excomungado.

Fonte: Último Segundo