O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, afirmou nesta terça-feira, 30, em um discurso feito no Instituto Aspen, que existem “valores inegociáveis” nas sociedades sobre os quais a Igreja tem o dever de intervir.

Segundo o cardeal, o próprio papa Bento XVI já defendeu o caráter inegociável de valores como “a promoção da vida humana, de sua concepção até o final natural, a tutela da família fundada no casamento entre um homem e uma mulher e a educação dos filhos”.

Estes são princípios, prosseguiu Bertone, que “não dependem da Igreja e de sua suposta intransigência ou, pior, de seu fechamento mental frente à modernidade, e sim da própria natureza humana, à qual estão ligados”.

“A natureza humana não muda com as maiorias parlamentares, nem com o passar do tempo”, disse o religioso. “Quando a política procura substituir a natureza do homem, em vez de defendê-la, ou quando o legítimo balanceamento dos poderes e das responsabilidades do Estado não é respeitada, os religiosos devem então intervir, não por hobby ou por prevaricação, mas para defender a dignidade e, em última análise, o bem da pessoa e da sociedade”, explicou.

Para Bertone, ao fazer isso, a Igreja não estaria exercendo uma ingerência indevida, mas oferecendo “uma ajuda para fazer crescer uma consciência reta e iluminada e, por isso mesmo, mais livre e responsável”.

A Igreja, explicou ele, não busca o aplauso e a popularidade, pois Cristo a envia ao mundo “para servir” e não “para ser servida”, ela não quer “vencer a qualquer custo”, mas “convencer”, ou pelo menos “alertar” os fiéis e todas as pessoas de boa vontade sobre os riscos que corre o homem quando se distancia da verdade sobre si mesmo.

Fonte: Estadão