O decano dos cardeais, Angelo Sodano, declarou ontem que “as falhas e os erros dos sacerdotes estão sendo usados como armas contra a Igreja”, esclarecendo que “por trás dos injustos ataques contra o papa [Bento XVI] há visões da família e da vida contrárias ao Evangelho”.

Em entrevista ao jornal vaticano L’Osservatore Romano, o ex-secretário de Estado da Santa Sé afirmou que tais acusações — relacionadas aos casos de pedofilia denunciados nos últimos meses e que teriam sido cometidos por religiosos em várias partes do mundo — demonstram, na verdade, “um contraste cultural”, já que o Pontífice “encarna verdades morais que não são aceitas”.

“Agora, contra a Igreja, há as acusações da pederastia. Antes, havia batalhas do modernismo contra Pio X, depois a ofensiva contra Pio XII por seu comportamento durante o último conflito mundial [Segunda Guerra], e por último contra Paulo VI, pela encíclica Humanae Vitae[1968]”, recordou.

“Dizem que deveríamos reagir de forma diferente diante desses ataques”, continuou o cardeal, mas “a Igreja tem seu estilo e não adota os métodos que hoje são usados contra o Papa. A única estratégia que temos é a do Evangelho”.

Segundo ele, a comunidade cristã também “sente-se ferida quando existe a tentativa de implicá-la nesses casos tão graves e dolorosos, cometidos por algum sacerdote, transformado culpas e responsabilidades individuais em culpa coletiva com uma racionalidade incompreensível”.

No último domingo, no início da celebração da Páscoa, na Praça São Pedro, Sodano expressou ao Papa a solidariedade de todo “o povo de Deus”.

Durante sua intervenção, ele criticou duramente as “especulações” da imprensa e reiterou a Bento XVI o apoio da Igreja e da comunidade católica. A declaração foi considerada também uma resposta às recentes críticas feitas contra o líder católico, em consequência das denúncias de pedofilia feitas em diversas partes do mundo contra padres e sacerdotes.

Fonte: Ansa