O cardeal francês Philippe Barbarin, suspeito de ter fechado os olhos a casos de pedofilia, pediu “pessoalmente perdão” às vítimas dos padres acusados, durante uma missa na quarta-feira à noite, indicou a diocese de Lyon.

Barbarin, arcebispo de Lyon (centro-leste), citou o papa Francisco ao declarar sentir-se na “‘obrigação de assumir todo o mal cometido por alguns padres e pedir pessoalmente perdão pelos danos que eles causaram ao abusar sexualmente de crianças’, apesar de não ser bispo na altura destes factos abomináveis”, de acordo com a página digital da diocese.

Na semana passada, em Lourdes, o cardeal declarou “nunca ter ocultado o menor ato de pedofilia”, sublinhando que a maioria dos casos tinha prescrito juridicamente quando chegaram ao seu conhecimento.

Algumas vítimas apresentaram queixas contra vários responsáveis da Igreja, incluindo Barbarin, por “não-denúncia” dos factos.

Sem visar diretamente Barbarin, a justiça francesa abriu dois inquéritos preliminares na sequência das queixas apresentadas: uma por “não-denúncia” e “perigo para a vida de terceiros”, a segunda ainda sem motivo.

A Igreja francesa tem atuado nos casos de pedofilia, sobretudo desde a condenação em 2001 do bispo Pierre Pican a três meses de prisão com pena suspensa por “não-denúncia” das violações de menores cometidas por um padre da sua diocese.

Na semana passada, Charles Scicluna, antigo responsável da justiça no Vaticano, garantiu que atualmente já não é possível transferir um padre acusado de pedofilia para outra paróquia.

Até aqui, Barbarin teve o apoio dos seus pares, que consideram rigorosa a gestão do cardeal nestes processos.
O Vaticano afirmou que o cardeal geriu este dossier “com muita responsabilidade”, sublinhando que Barbarin “estava perante uma situação que remontava há vários anos”.

[b]Fonte: Expresso – Portugal[/b]