Praticamente os únicos textos não-oficiais escritos por Fidel Castro de que se tem conhecimento, as cartas revelam que o futuro líder cubano, na época com entre 26 e 28 anos de idade, acreditava fervorosamente em Deus.

Em artigo publicado no jornal americano Washington Post, a co-editora do livro, Ann Louise Bardach, disse que os textos revelam vários talentos de Castro: “Sua incrível erudição, pensamento estratégico e liderança natural”.

É a primeira vez que as cartas, material de referência essencial para historiadores, biógrafos e jornalistas, são publicadas em inglês.

As missivas foram escritas entre 1953 e 1955, período em que Fidel Castro ficou preso por ter comandado um ataque contra as forças do então presidente cubano, Fulgencio Batista.

As cartas foram endereçadas à então esposa de Castro, Mirta Diaz-Balart, à meia-irmã Lídia, a uma futura amante e ao pai de um companheiro morto.

Outro destinatário, que recebeu nove dessas cartas, foi o grande amigo e partidário político Luis Conte Aguero.

Aguero publicou um volume contendo as 21 cartas, em espanhol, em Havana, em 1959, meses antes de Castro tomar o poder. No ano seguinte, desiludido, ele fugiria de Cuba.

A correspondência ilustra as transformações no pensamento de Castro com o passar dos anos.

No trecho abaixo, de uma carta escrita para o pai de um companheiro morto, o líder revela uma profunda espiritualidade.

“Não falarei dele como se ele estivesse ausente, ele não está e nunca estará”, escreveu Castro. “Aqueles que (…) e generosamente sacrificam sua vida física pelo bem e justiça – como eles podem morrer? Deus é a idéia suprema de bondade e justiça.”

Cerca de 15 anos mais tarde, em 1969, Castro proibiria celebrações públicas do Natal em Cuba. A lei ficou em vigor durante 30 anos.

A publicação das cartas acontece num período de grande incerteza política em Cuba.

Em meados do ano passado, Castro foi internado com problemas de saúde e transferiu o controle do país para o seu irmão, Raul.

Há relatos de que o líder, hoje com 80 anos de idade, sofre de câncer no intestino, e estaria à beira da morte.

Seu pai, Angel Castro, figura com quem Fidel teve um relacionamento difícil, morreu de câncer de intestino exatamente aos 80 anos de idade.

O livro “The Prison Letters of Fidel Castro “ é um lançamento das editoras Avalon e Nation.

Fonte: BBC Brasil