Os católicos devem ser fundamentais para a vitória da senadora Hillary Clinton na primária da Pensilvânia, a próxima grande disputa democrata pela nomeação do partido, que ocorrerá em 22 de abril.

Os eleitores católicos, segundo o jornal norte-americano “The New York Sun”, podem representar mais de um terço dos votos no Estado, que coloca em jogo 158 delegados e 29 superdelegados e tem, a favor de Hillary, uma grande população de eleitores brancos católicos.

Apesar de Hillary não ser católica, ela tem a vantagem de ter participado ao lado dos católicos pela paz na Irlanda do Norte, enquanto Barack Obama tem o apoio de um dos mais proeminentes católicos eleitos, o senador Robert Kennedy, de Massachusetts, cujo irmão, John F. Kennedy foi o primeiro presidente católico eleito.

Para os adeptos de Hillary, os números são prova suficiente: nos Estados em que ela ganhou, pesquisas de boca-de-urna mostram que ela conquistou 65% dos eleitores católicos –uma porcentagem que poderia garantir sua vitória em outros Estados com grande número de adeptos à religião. Mesmo nos Estados em que Obama ganhou, incluindo seu Estado natal Illinois, os votos católicos foram para a senadora.

A virada de Obama

A campanha de Obama luta agressivamente contra a percepção de que ele tem um “problema católico”, e que Hillary teria claramente uma vantagem entre este grupo de eleitores. Seus assessores alegam que a margem da oponente nos votos católicos é fruto, principalmente, de seu já conhecido apoio entre os hispânicos, que representam grande parte da população católica em grandes Estados como a Califórnia e Texas.

Já pensando nas primárias de abril, a campanha de Obama está trabalhando diretamente com estes eleitores. Em fevereiro, o senador enviou uma carta a milhares de freiras pelo país e organizou dezenas de “fóruns da comunidade de fé” que reuniram figuras como Timothy Roemer, ex- membro do congresso de Indiana e Victoria Kennedy, a mulher do senador Kennedy.

Segundo o diretor de assuntos religiosos do candidato, Joshua DuBois, uma série destes eventos será sediada na Pensilvânia e, em poucas semanas, a campanha de Obama estará “atingindo agressivamente” os católicos. Apesar de estar divulgando sua candidatura há 14 meses, somente agora o senador começa a focar especificamente no grupo de religiosos.

“Não há preocupação quanto a estes assuntos, porque essa introdução está apenas começando”, afirmou o assessor em entrevista ao “The New York Sun”. “Mais e mais católicos estão conhecendo quem é o senador Obama e o que ele defende. Nós estamos 100% confiantes de que ele será o candidato dos eleitores católicos, não somente nas primárias, mas na eleição presidencial”, afirmou.

A favor do senador, há poucas evidências de que os católicos efetivamente apóiem Hillary — que segue a Igreja Metodista –, por causa de algum tema específico ou simplesmente porque não gostam de Obama. “Não encontramos ninguém que tenha dito: “eu sou católico e votarei em Hillary”, afirma Terry Madonna, cientista político e diretor do Franklin and Marshall Poll, na Pensilvânia.

Para ele, a vantagem de Hillary pode ser atribuída a vários fatores, em particular o fato que muitos eleitores trabalhadores brancos que formam a base de apoio da senadora são católicos. Estes democratas, que tendem a votar por questões básicas como saúde e economia, responderam melhor à política de Hillary do que à de Obama.

Voto republicano

Para o democrata Brian O’Dwyer, diretor do National Ethnic Democratic Leadership Council, o apoio dos católicos a Hillary pode representar um grande risco ao partido caso a senadora não seja a candidata nomeada.

“Isso ocasionaria um desastre caso Obama fosse nomeado”, afirmou ele, sugerindo que os laços enfraquecidos de Obama com esta comunidade colocariam-no em desvantagem considerável na corrida presidencial com o candidato republicano John McCain, que teria um forte apelo com os católicos.

Já um consultor democrata que apóia Obama, Michael Tobman, diz não acreditar em um apoio em massa dos católicos ao republicano, caso o senador por Illinois for o candidato democrata.

Mas para ele, assim como para O’Dwyer, McCain — que é batista– poderia ter uma vantagem, principalmente entre os católicos irlandeses. “A única vantagem de McCain na comunidade católica é seu sobrenome”, avalia.

Fonte: Folha OInline