Cerca de cem representantes de igrejas católicas e evangélicas do Distrito Federal fizeram nesta terça-feira um protesto em frente ao Palácio do Planalto contra as declarações do presidente Lula sobre o aborto. Em entrevista para 154 emissoras católicas de rádio nesta segunda-feira, Lula disse que o Estado não pode ficar alheio ao aborto, embora ele pessoalmente seja contrário à prática.

O padre Pedro Stein, um dos organizadores da manifestação, disse que Lula deu sinais claros de que é a favor do aborto. “Ele não quis falar isso antes das eleições para não perder votos. O Lula tem duas falas. Como pessoa, diz que é católico. Como presidente, tem um procedimento diabólico”, criticou.

Católico praticante, Gilberto Rodrigues Moraes disse que ficou decepcionado com o discurso confuso de Lula sobre o aborto. “Eu gostaria de perguntar ao presidente quem ele é. Se ele é católico, ou se é contra a vida”, afirmou.

Na entrevista, Lula se mostrou favorável à criação de medidas públicas que evitem a morte de jovens que recorrem a essa prática. Ele afirmou que, como presidente da República, entende o drama de jovens meninas que recorrem à prática como forma de evitar a gravidez indesejada. Mas como pai, marido e cidadão, se mostrou contrário ao aborto.

“São duas coisas totalmente distintas. Eu tenho dito, na minha vida política, que sou contra o aborto. E tenho dito publicamente que não acredito que ninguém faça aborto por opção ou por prazer. O Estado não pode abdicar de cuidar disso como uma questão de saúde pública, porque senão é levar à morte muitas jovens neste país”, afirmou.

Polêmica

A discussão sobre o aborto voltou à cena esta semana às vésperas do encontro de Lula com o papa Bento 16. A Igreja Católica é contrária à prática do aborto. Lula não pretende discutir o tema com o papa durante o encontro reservado que terá com Bento 16 na próxima quinta-feira no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, “não existe a intenção” de Lula abordar esse tema com o sumo pontífice. Entre os assuntos que Lula deseja conversar com Bento 16, o porta-voz destacou a desintegração das famílias e a educação dos jovens.

“Vai depender da dinâmica da discussão, mas não existe a intenção do presidente de abordar esse tema. O enfoque deve ser na juventude, educação e na família”, afirmou o porta-voz.

Fonte: Folha Online