O papa Bento XVI poderá não vê-los e nem ouvi-los, mas católicos revoltados esperam que sua visita aos Estados Unidos, nesta semana, ajude-os a chamar atenção para questões que vão da ordenação de mulheres aos direitos dos gays, passando pelos abusos sexuais praticados por padres e a proibição do uso de contraceptivos pelo Vaticano.

Grupos planejam vigílias, manifestações e entrevistas coletivas para dar destaque às causas que defendem, enquanto o papa visita Washington e Nova York. Nesta segunda-feira, 14, véspera da chegada do pontífice, defensores da ordenação de mulheres para o sacerdócio católico farão o que chamam de “missa inclusiva” numa igreja metodista. A cerimônia será celebrada por mulheres católicas – incluindo duas que, recentemente, foram excomungadas.

“Não poderemos dar as boas vindas a este papa até que ele comece a eliminar a violência e o sexismo continuados da Igreja”, disse a irmão Donna Quinn, coordenadora da Coalizão de Freiras dos Estados Unidos.

Ativistas gays católicos pretendem realizar uma manifestação na terça-feira, 15, junto à carreata do papa a caminho de Washington. Eles compilaram uma lista de declarações feitas por Bento XVI que consideram ofensivas a gays e lésbicas.

Outra questão que será levantada é a proibição do uso de contraceptivos pelo Vaticano. Em uma teleconferência prevista para esta segunda-feira, quatro teólogos católicos discutirão a encíclica Humanae Vitae, de 1968, que definiu a oposição do Vaticano à contracepção artificial.

“Os católicos se perguntam por que há uma disparidade tão grande entre o que a hierarquia diz que deveríamos fazer e o que os católicos no mundo real fazem de fato”, disse o presidente do grupo Católicos pela Escolha, Jon O’Brien.

O nível de atenção que o papa dará a essas queixas durante sua visita ainda é desconhecido. Mas o enviado do Vaticano aos Estados Unidos, arcebispo Pietro Sambi, disse que qualquer manifestação de desagrado será lamentável.

“Mesmo na Igreja Católica, ninguém tem o direito de instrumentalizar a visita do papa para servir a seus interesses pessoais”, disse ele ao jornal National Catholic Repórter. “O problema é que muitas pessoas gostariam de ser o papa… e que se atribuem um grande senso de infalibilidade”.

Fonte: Estadão