Por declarações que colocam o celibato em questão, o arcebispo Robert Zollitsch, novo presidente da Conferência dos Bispos Alemães, provoca debates e reações entre católicos na Alemanha.

Conhecido por suas posições objetivas sobre temas sócio-políticos atuais, o arcebispo Robert Zollitsch, eleito recentemente novo presidente da Conferência dos Bispos Alemães, fez jus à fama e declarou, em entrevista à revista Der Spiegel, que não se devia fazer do celibato um tabu.

Segundo Zollitsch, uma ligação entre o clero e o celibato “não seria, teologicamente, necessária”. O arcebispo de Freiburg criticou ainda a União Democrata Cristã (CDU), partido da chanceler federal Angela Merkel, por se aproximar demais de idéias do neoliberalismo e esquecer aspectos de ordem social.

Zollitsch censurou o presidente da Igreja Luterana Alemã, Wolfgang Huber, por ter mudado de idéia quanto a pesquisas com células-tronco embrionárias, contra a qual se posiciona a Igreja Católica.

Novos ramos da sociedade

Considerado uma pessoa de consenso e com um grande talento organizacional, o arcebispo de 69 anos assumiu, na segunda-feira (18/02), o cargo de sucessor do cardeal Karl Lehmann na presidência da Conferência dos Bispos Alemães.

Em entrevistas à revista Der Spiegel e ao jornal Bild, Zollitsch declarou-se a favor de uma abertura geral da Igreja Católica para novos ramos da sociedade.

O arcebispo de Freiburg declarou entender a dor sentida por casais separados: Eles também são membros da Igreja e precisam de apoio espiritual, declarou. Quanto à homossexualidade, Zollitsch explicou que não se trataria de uma questão de liberalidade, mas de realidade social.

Além de suas posições sócio-políticas, suas declarações a favor da discussão sobre a obrigatoriedade do celibato têm provocado reações entre os católicos alemães. Bispos conservadores, como Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburg, reagiram contrariamente às declarações de Zollitsch.

“Uma entrevista não é uma dissertação”

O Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK) e o movimento católico Nós Somos Igreja, se posicionaram a favor de Zollitsch e contra as críticas do bispo de Regensburg. Zollitsch havia afirmado à Der Spiegel, que o celibato seria “um grande presente”, mas uma ligação entre o celibato e o clero não seria, teologicamente, necessária. Zollitsch prefere ver o celibato como opção.

Especulações sobre uma possível modificação da regra foram rebatidas pelo bispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Müller, que criticou a superficialidade da entrevista dada por Zollitsch.

Em defesa de Zollitsch, Hans Joachim Meyer, presidente da ZdK, afirmou “uma entrevista não é uma dissertação. Concordamos, de todo coração, com as declarações do arcebispo Zollitsch em sua entrevista”.

Na mencionada declaração, o arcebispo de Freiburg afirmou ser cético quanto à revogação da regra que se tornou lei eclesiástica em 1139. “Seria uma revolução da qual parte da Igreja não participaria”, explicou. Zollitsch acrescentou que esta não seria uma questão a ser tratada por cada país, mas por toda a Igreja Católica e, para tal, um concílio seria necessário.

Fonte: DW World