O cenário de uma das parábolas mais conhecidas de Jesus Cristo, a do Bom Samaritano, foi reabilitado e será inaugurado em 2009 pelo Ministério do Turismo de Israel.

O local bíblico fica entre Jerusalém e Belém, numa das sinuosas colinas cercam o caminho até o Mar Morto, no deserto de Judá, e é venerado desde a antiguidade, conforme indicam os restos escavados de uma basílica bizantina que data do século VI e construções de períodos posteriores.

Acredita-se que estas edificações foram erguidas sobre o que seria uma pousada que teria dado refúgio ao homem que, segundo a narrativa evangélica, havia sido roubado e destituído de tudo o que tinha, e posteriormente, ajudado pelo bom samaritano.

Relatada apenas no livro de Lucas (10, 25-37), a parábola é narrada por Jesus, com o intuito de mostrar que a piedade é um sentimento muito importante; de fato, a figura do ‘bom samaritano’ passou a identificar na cultura ocidental uma pessoa generosa e disposta a ajudar os que necessitam.

“Sabemos que este é o local onde se passou a Parábola do Bom Samaritano porque se encontra entre Jerusalém e Jericó – tal como narra o Nova Testamento – e temos encontrado aqui vestígios da época do Segundo Templo (de Jerusalém), provavelmente do tempo de Jesus”, disse o arqueólogo Yuval Peleg.

No local foram descobertos utensílios de barro, vasilhas de pedra e vidro e moedas de época, além de imponentes mosaicos que pavimentam o solo da antiga basílica e que foram recentemente restaurados.

Também será aberto um museu em uma pequena igreja reabilitada, onde os peregrinos poderão contemplar sala com utensílios litúrgicos cristãos, mosaicos originais e réplicas dos encontrados em sinagogas samaritanas ou lugares cristãos das bíblicas Samaria, Judéia (Cisjordânia) e Gaza.

Entre eles, destacam-se uma inscrição talhada em pedra que contém os Dez Mandamentos em escritura samaritana, encontrada no Monte Gerizim, próximo à cidade de Naplusa, na Cisjordânia, habitada atualmente por uma pequena comunidade de samaritanos. Estes crêem ser ali a elevação por onde passou Abraão com seu filho Isaac para sacrificá-lo e oferecê-lo a Deus, no lugar do Monte Moriá de Jerusalém, venerado por judeus e cristãos.

Estas pessoas residem em território palestino, junto a outro reduto na cidade israelense de Jolón, são os únicos remanescentes de uma comunidade que hoje em dia é formada por aproximadamente 700 integrantes, que se consideram parte do povo hebreu.

Acredita-se que sejam descendentes das dez tribos do antigo reino de Israel e se regem exclusivamente pelo Pentateuco, ou a Tora, ou lei de Moisés, diferentes do judaísmo, que segue o Talmud e outros livros em conformidade com o Antigo Testamento.

A origem da comunidade samaritana remonta à morte do rei Salomão, em 977 antes de Cristo e que desencadeou uma grande cisma no povo de Israel: tão somente as tribos de Judá e Benjamin decidem permanecer fiéis a dinastia do rei Davi, criando o chamado reino de Judá com seu centro espiritual em Jerusalém. As dez tribos restantes formariam o reino de Israel, tendo Samaria como capital.

“Um dos principias focos de tensão entre judeus e samaritanos foi a negativa a estes últimos em participar da reconstrução do Templo de Jerusalém”, disse o vice-custódio dos Lugares Santos, o franciscano Artemio Vítores.

Este antagonismo já era conhecido nos tempos de Jesus Cristo, quando os samaritanos eram considerados forasteiros e heréticos, alijados da verdadeira religião hebraica, razão pela qual a famosa parábola ilustra a idéia de que “o próximo são todos os homens, incluindo o seu pior inimigo”.

Fonte: Globo online