A direção da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) pede que o Concílio Geral metodista, que terá uma segunda etapa agora em outubro, reavalie a desvinculação da igreja desse organismo de serviço.

Em correspondência dirigida ao Colégio Episcopal da Igreja Metodista do Brasil, dirigentes da CESE solicitam que o tesoureiro do organismo, Luiz Carlos Escobar, reeleito na assembléia de junho passado e que vem prestando excelente serviço, continue na diretoria até o fim do seu mandato, em junho de 2007.

Reunido em Aracruz, de 10 a 16 de julho, o 18o Concílio decidiu pela retirada da Igreja Metodista de todos os organismos ecumênicos que tenham a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos. A decisão implica o desvinculamento de seus representantes em cargos eletivos e diretivos daqueles organismos.

A carta da CESE, assinada pelo presidente, bispo episcopal anglicano dom Jubal Pereira Neves, e pela diretora executiva, Eliana Rolemberg, historia a caminhada da Igreja Metodista desde a fundação do organismo ecumênico de serviço, em 1973.

“A presença constante e atuante de membros da Igreja Metodista na diretoria da CESE contribuiu para o amadurecimento e profissionalismo de nossa instituição, tanto no aspecto das relações ecumênicas, quanto no zelo pela correta e transparente utilização dos recursos que nos foram confiados, quanto no envolvimento com pessoas e grupos marginalizados e oprimidos dentro de nosso país”, assinalam Neves e Rolemberg.

Também a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) remeteu mensagem à Igreja Metodista, em fins de agosto, reiterando a “total disponibilidade” para a constituição de uma Comissão Bilateral de Diálogo, “para construirmos pontes que nos ajudem a superar as divisões existentes e possam ser fraternalmente estudadas e compreendidas”.

A mensagem, assinada pelo presidente, vice-presidente e secretário-geral da CNBB, respectivamente, cardeal Geraldo Majella Agnelo, bispo Antônio Celso de Queirós e bispo Odilo Pedro Scherer, reconhece a importância do papel da Igreja Metodista para o testemunho cristão no Brasil.

“Em momento tão difícil de divisões, violência e guerras que atravessa o mundo, um distanciamento entre nós enfraquece e debilita nosso testemunho cristão e nossa capacidade de prestar um bom serviço às pessoas de hoje e ao mundo em que vivemos”, dizem os prelados na mensagem.

A direção da CNBB abre-se ao diálogo, entendendo que a decisão conciliar metodista representa uma “dolorosa separação”, também para as demais igrejas parceiras na caminhada ecumênica.

“Entendemos que as dificuldades do presente não anulam o compromisso ecumênico de nossas igrejas e o espírito cristão de fraternidade, diálogo e convivência que levou nossas igrejas a fundar o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e a caminhar juntas durante 24 anos”, destacam os líderes católico-romanos.

Fonte: ALC