O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou a liderança da Igreja Católica no país, acusando-a de ser “moralmente inaceitável”, após ter recebido críticas do clero a sua proposta de reforma constitucional para acabar com os limites de reeleição.

Os planos de reforma de Chávez, que, segundo se prevê, serão aprovados pelos eleitores em um plebiscito marcado para dezembro, também incluem uma permissão às forças de segurança para prenderem cidadãos sem acusação prévia durante “emergências” políticas ou grandes desastres naturais.

Os dirigentes da Igreja Católica na Venezuela divulgaram na sexta-feira um comunicado duro acusando Chávez de querer concentrar poder com uma proposta “autoritária” para rever a Constituição do país-membro da Opep, que ele mesmo ajudou a reescrever em 1999.

“Eles afirmam que a reforma é moralmente inaceitável ¿ eles é que são moralmente inaceitáveis”, disse Chávez em um comunicado divulgado no domingo à noite. “Esses bispos que temos nos dão vergonha.”

As pesquisas mostram que Chávez deve vencer o plebiscito porque a proposta também inclui medidas de apelo popular, como encurtar a jornada diária de trabalho e ampliar os benefícios sociais para os ambulantes de rua como parte dos esforços para construir um Estado socialista.

A Igreja é uma das poucas instituições respeitadas e independentes da Venezuela e criticou repetidas vezes as políticas esquerdistas de Chávez, pedindo várias vezes ao presidente, no poder desde 1999, que baixasse o tom de suas declarações frequentemente agressivas.

Em resposta, Chávez, que continua gozando de altos índices de popularidade por gastar o dinheiro auferido pelo país com a venda do petróleo na ajuda aos pobres, descreve os líderes da Igreja como elitistas que deram apoio ao golpe de 2002, quando o presidente quase perdeu o poder.

Os venezuelanos são em sua grande maioria católicos, mas a prática religiosa no país mostra-se menos intensa do que em outros países latino-americanos como o Brasil e o México.

Fonte: Reuters