O presidente venezuelano Hugo Chávez pediu terça-feira, 20, ao ministro do Interior, Tareck El Aissami, para “revisar” a concessão de um canal outorgada ao Arcebispado de Caracas para “recuperá-lo” e “colocá-lo às ordens do povo”.

O governante fez o pedido sobre a emissora Vale TV depois de ratificar sua vontade de revisar o convênio da Venezuela com o Vaticano e de convidar o núncio apostólico Pietro Parolin a “conversar sobre o tema”.

“Revisemos (a concessão da Vale TV), Tareck, para recuperar esse canal e colocá-lo às ordens do povo”, disse Chávez em um ato com membros da Polícia Nacional Bolivariana transmitido pela TV.

A Vale TV se identifica em sua página na web como um canal aberto e sem fins lucrativos dedicado à cultura, que sucedeu a Televisora Nacional, canal 5, primeiro canal público de televisão da Venezuela.

Em 1998, o então presidente venezuelano, Rafael Caldera, outorgou a concessão deste canal ao Arcebispado de Caracas, que iniciou as transmissões no fim do mesmo ano.

Chávez afirmou que Caldera “entregou” o canal 5 à “hierarquia eclesiástica em 1998”, “violando um conjunto de procedimentos”.

A atual tensão entre a Igreja venezuelana e o governo chavista começou em julho, quando o arcebispo de Caracas, Jorge Urosa Savino, disse que Chávez estava violando a Constituição ao querer impor uma ditadura comunista no país, ao que o governante respondeu chamando o cardeal de “troglodita” e “indigno”.

Chávez disse que o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, conversou nesta semana com o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, “preocupado” com declarações recentes sobre a revisão do acordo de 1964, no qual o Estado venezuelano concedeu “certos privilégios” à Igreja do país.

O acordo compromete o envio de recursos provenientes da exportação de petróleo para o financiamento de obras sociais e projetos educativos.

[b]Fonte: Estadão[/b]