Funcionárias públicas da Chechênia devem usar lenços islâmicos na cabeça ou serão demitidas, disse na terça-feira o presidente da região russa, num decreto que vai contra os interesses do governo russo, que apóia a administração local.

O Kremlin instalou Ramzan Kadyrov, 30 anos, como presidente da Chechênia para esmagar uma rebelião separatista iniciada há uma década, mas alguns observadores dizem que ele transformou a região em um feudo privado, onde as leis russas não valem.

A Constituição da Rússia separa Estado de religião e dá direitos iguais a homens e mulheres. Mas Kadyrov, que neste ano fez uma peregrinação religiosa à ultra-conservadora Arábia Saudita, disse que a Chechênia tem tradições diferentes.

“Eu sei que todo mundo vai dizer: ‘Ramzan declara a sharia (lei islâmica). Mas respondo que sou um muçulmano, respeito as tradições chechenas e me orgulho disso”, afirmou Kadyrov, filho de um clérigo muçulmano, em reunião com autoridades locais.

“Repito mais uma vez: as mulheres devem usar lenços na cabeça ou não devem trabalhar. Vocês podem dizer que eu faço declarações ilegais, mas não vou recuar.”

Kadyrov se disse “literalmente chocado por ver nossas jovens andando por aí de camisetas e minissaias em nossa cidade (Grozny, a capital).”

Kadyrov, que é pugilista amador e tem um leão de estimação, disse que as mulheres são a origem de todos os crimes cometidos na Chechênia, já que elas convidam os homens ao sexo.

Famílias muitas vezes se envolvem em sangrentas disputas quando acusam alguém de desonrar suas filhas. Em alguns casos, a moça é morta por ter envergonhado os parentes. “Isso só complica o trabalho da polícia”, disse Kadyrov.

Analistas dizem que o presidente checheno dificilmente será incomodado pelo Kremlin apesar de incomodar o governo central com suas políticas radicais e com o culto à personalidade que promove.

Fonte: Reuters