O Ministério das Relações Exteriores chinês disse nesta quinta-feira que o dalai-lama rompeu o protocolo religioso ao considerar a hipótese de escolher seu sucessor antes de sua morte, em vez de confiar no processo de reencarnação.

Na última terça-feira, o dalai-lama, 72, declarou ao jornal japonês “Sankei Shinbun” que poderia quebrar a tradição para impedir a intromissão das autoridades chinesas na escolha de seu sucessor.

A hipótese já havia sido considerada há mais de um ano pelo líder espiritual, que chegou a pensar em uma espécie de concílio para escolher seu sucessor entre a comunidade de monges residentes na Índia.

“Consideramos que as afirmações do dalai-lama violam os rituais religiosos e as convenções históricas”, disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Jianchao, durante uma coletiva de imprensa.

“A reencarnação de um buda é a única via de sucessão do budismo tibetano”, acrescentou.

“Se o povo tibetano quer conservar o sistema do dalai-lama, uma das possibilidades que levei em consideração com meus assistentes é que o sucessor seja escolhido enquanto ainda estou vivo”, disse o dalai-lama.

A China considera o dalai-lama um traidor desde que ele fugiu do Tibete, em 1959, após uma revolta fracassada contra Pequim, que detém o controle da região desde 1950.

No início de setembro a China divulgou uma norma que prevê que qualquer decisão sobre a reencarnação de um Buda tibetano necessita de uma autorização oficial do governo de Pequim.

Em 1995, um menino de 6 anos escolhido como futuro Panchen Lama –segundo posto da hierarquia budista tibetana– desapareceu, e acredita-se que agora viva em prisão domiciliar sob controle chinês.

Depois de seu desaparecimento, a China escolheu um candidato que jurou fidelidade ao governo.

Fonte: Folha Online