Em plena atividade diplomática entre China e Vaticano para retomar laços diplomáticos, a Igreja Católica oficial chinesa disse que rejeitará bispos nomeados pela Santa Sé que sejam “anticomunistas”, em referência aos clandestinos chineses.

“Não permitiremos que o Vaticano escolha bispos que se opõem ao socialismo e ao Partido Comunista da China. Esta é nossa posição”, disse hoje à agência Efe o porta-voz da Associação Patriótica Católica Chinesa, Liu Bainian, que conta com o apoio do Partido.

“A realidade é que o Vaticano apóia os católicos clandestinos chineses e desde 1979 reconheceu mais de 40 bispos propostos por eles”, disse o porta-voz.

Liu não informou, no entanto, se a Santa Sé propôs à Associação algum candidato para dirigir uma diocese, mas acrescentou que “a idéia é escolher os clandestinos”.

A igreja “oficial” efetua consagrações de bispos que o Vaticano considera “ilícitas”, embora algumas sejam realizadas com o “acordo” do Papa e do Governo chinês, o que fontes católicas no país asiático consideram um avanço diplomático.

A Igreja Católica oficial chinesa conta com 5,5 milhões de fiéis, e os clandestinos poderiam somar 10 milhões, um número que Liu se recusou a confirmar.

“Não acho que minhas declarações de hoje vão afetar as negociações com o Vaticano. O Papa também é a favor de que os fiéis chineses amem seu país ao mesmo tempo que amam sua religião, segundo sua carta”, acrescentou Liu.

Ele explicou que a congregação professa o “amor por seu país” e “o amor ao socialismo dirigido pelo Partido Comunista da China”.

A cada ano, 150 mil fiéis se unem à igreja oficial, um aumento que atraiu a atenção da Santa Sé. Por isso, desde a eleição de Bento XVI em 2005, foi retomado o diálogo para restabelecer laços diplomáticos com a China.

A China exige que o Vaticano rompa os laços com Taiwan (considerada parte de seu território pelo Governo chinês) e que não interfira na nomeação de bispos na China, um dos pontos de conflito entre os Estados desde que romperam vínculos em 1951.

Apesar da disputa, Liu anunciou hoje que seu agrupamento acelerará a nomeação de prelados.

“Temos uma grave necessidade de bispos. Não podemos esperar que o Vaticano e a China estabeleçam vínculos para nomeá-los. Nossa missão é divulgar o Evangelho e, se não fizermos isso, estaremos pecando”, afirmou.

Em entrevista ao jornal italiano “La Repubblica” em julho, Liu expressou seu desejo que Bento XVI visitasse a China, o que foi interpretado como um convite oficial.

A declaração “foi tirada de contexto. Era um desejo pessoal, não um convite oficial”, disse Liu à agência Efe. “É o Governo quem tem que fazer este convite”.

Fonte: EFE