A bióloga Rute Maria Gonçalves de Andrade, diretora da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), diz que “de forma nenhuma” o criacionismo pode ser ensinado em aulas de ciências. Isso porque, afirma, “falta tudo” para que essa linha seja considerada ciência.

O criacionismo deve ser ensinado nas aulas de ciências nas escolas?

De forma nenhuma, pois não é conhecimento científico. Ninguém pode fazer, por exemplo, um experimento para provar a existência de Deus. E fazer experimentos é uma das bases da ciência.
Na ciência, não se pode usar como base a crença. Não posso dizer que um animal está em extinção porque eu simplesmente creio nisso. Na ciência, tem de haver método, o que os criacionistas não conseguem fazer.

O que a sra. acha de escolas que ensinam, juntos, evolucionismo e criacionismo?

Também acho errado. Claro que um aluno pode questionar sobre o criacionismo, mas o professor deve estar preparado para dizer que isso não é conhecimento científico.

Mas os criacionistas vêem falhas e criticam a teoria evolucionista.

É um absurdo. Obviamente a teoria da evolução ainda não se esgotou, mas o que foi descoberto até agora foi pautado por métodos científicos. Quando se publica em revista científica, a metodologia é rigorosa e os procedimentos devem ser passíveis de reprodução. Para o criacionismo, falta tudo isso. Apresentar esse modelo aos alunos é um prejuízo, pois ele ficam impedidos de ver o que é o conhecimento científico.

Fonte: Folha de São Paulo