No final da manhã desta sexta-feira (12) foi anunciada a suspensão dos trabalhos desenvolvidos no Recife pelo paranormal mineiro Kléber Aran Ferreira e Silva, que garante incorporar o espírito do médico alemão Adolf Fritz.

O delegado do consumidor, Roberto Wanderley, autuou Kléber por exercício irregular da medicina.

Técnicos da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) e do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), além de policiais da Delegacia do Consumidor, estiveram no Clube dos Rodoviários, na Imbiribeira, Zona Sul do Recife, onde Kléber realiza as cirurgias espirituais desde o dia 31 de agosto, para vistoriar as atividades. Os instrumentos utilizados nas cirurgias, tais como bisturis e tesouras, foram recolhidos.

Um dos coordenadores do mutirão de atendimentos espirituais anunciou às pessoas que compareceram ao local que as atividades estariam suspensas nesta sexta-feira. Técnicos da Apevisa afirmaram que os atendimentos eram feitos sem nenhuma higiene, com material não esterelizado, sem luvas e manipulando sangue. Já foram atendidas, desde o dia 31 de agosto, mais de 10 mil pessoas.

Para a reportagem do Jornal do Commercio, publicada na edição desta sexta-feira, o delegado Roberto Wanderley, titular da Delegacia do Consumidor, disse que o paranormal mineiro pode ser até indiciado por exercício ilegal da medicina, já que opera sem ter registro profissional. “Isso é um charlatão”, acusou. “Observamos as fotografias divulgadas no jornal e ficamos chocados. O falso médico enfia uma faca na barriga do paciente. Isso é inadmissível. Até para aplicar uma seringa você deve obedecer a regras sanitárias, quem dirá para cortar as pessoas com bisturi”, impressionou-se Roberto Wanderley. Ele informou que o crime prevê pena de seis meses a dois anos de reclusão.

O gerente da Apevisa, Jaime Brito, afirmou que, pelo menos aparentemente, o mineiro não respeita as condições de segurança. “Esse espírita realiza um procedimento invasivo que, independentemente de mediunidade, pode trazer sérios danos à saúde da população. Se infecções ocorrem dentro de bloco cirúrgico, imagine no ginásio de um clube”, ponderou. De acordo com Jaime Brito, a Vigilância Sanitária deve abrir processo administrativo contra Kléber Aran Ferreira e Silva e as cirurgias espirituais podem ser suspensas.

O vice-presidente do Cremepe, André Longo, explicou que, como o paranormal não é médico, o conselho regional não pode interferir na questão. Mesmo assim, ele demonstrou sua indignação com as operações feitas sem anestesia e assepsia. “Ele não pode de jeito nenhum atender. Do ponto de vista técnico, esse homem não tem conhecimento. É um caso de polícia, pois o risco é grande para as pessoas”, frisou.

Fonte: JC Online