O Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) enviou, nesta terça-feira, carta ao presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, manifestando preocupação com as recomendações do “Segundo Relatório da Comissão para Ajudar uma Cuba Livre”, e instando o governo norte-americano a buscar novos caminhos políticos em relação a esse país.

“Nós não questionamos os direitos dos governos de Cuba e dos Estados Unidos de tomarem suas próprias decisões”, diz a carta do CLAI, “mas nos causa profunda consternação quando as decisões tomadas tornam o diálogo quase impossível, quando as decisões conduzem ao confronto, tensões e imposições hegemônicas”.

Assinada pelo bispo Julio César Holguín e o reverendo Israel Batista, respectivamente presidente e secretário geral do CLAI, a carta questiona a recomendação de fortalecer as sanções econômicas contra Cuba. Tais sanções não afetarão apenas o governo cubano, mas os mais humildes do país, destaca a carta.

O CLAI afirma que a recomendação que defende a manutenção do embargo não tem como defender de uma perspectiva humanitária e ética, e sublinha que o embargo é “mais do que uma sanção política e econômica”, como vem insistindo igrejas e organismos ecumênicos do mundo.

O documento indica a preocupação do CLAI quanto à recomendação que solicita das igrejas dos Estados Unidos e de agências ecumênicas que cessem o envio de ajuda humanitária através do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC).

Adverte que as organizações ecumênicas e as igrejas mundo afora têm a responsabilidade de relacionar-se entre si em qualquer lugar e como estimarem conveniente. “A liberdade religiosa é um princípio muito estimado para nós como CLAI”, assegura.

O documento assinala que é impossível aceitar que governo algum interfira nas decisões que competem às igrejas. “Conhecemos que esse é um princípio que o governo dos Estados Unidos impulsiona em todas as partes. Por que não aplicamos esse princípio no caso de Cuba?”, questiona.

O CLAI lembra que essa não é a primeira carta que envia ao presidente Bush sobre o tema de Cuba. “Esperávamos novos sinais, de ambos os lados, que permitissem uma relação diferente”, arrola, depois de recordar que o ministério da reconciliação é um aspecto essencial da missão cristã.

Fonte: ALC