O clérigo indonésio Abu Bakar Bashir, considerado o líder espiritual do grupo radical Jemaah Islamiya, encoraja a agressão a turistas australianos e os muçulmanos a morrer como mártires.

Um estudante australiano gravou em vídeo um sermão de Bashir, cujo conteúdo foi divulgado por vários meios de imprensa australianos, no qual disse que os jovens devem estar na linha de frente, morrer como mártires que todos os seus pecados serão perdoados.

Bashi, 69, foi colocado em liberdade em 2006 após dois anos e meio de prisão por ser o suposto cérebro dos atentados de Bali em 2002, que causaram 202 mortes.

O suposto líder espiritual da Jemaah Islamiya condenou em seu discurso a imoralidade dos infiéis australianos e comparou os turistas de Bali com “alimárias, vermes e serpentes, esses animais que se arrastam”, por se exibirem desnudos nas praias da ilha.

“Graças a Deus, não há nenhum aqui”, afirmou o clérigo em referência à presença de turistas da Austrália em Java Oriental, onde pronunciou o sermão. “Mas se houvesse, simplesmente deveriam golpeá-los, não os tolereis”, disse.

Bashir visitou em dezembro do ano passado na prisão três condenados a morte pelos ataques de Bali e advertiu então que o país “sofrerá um grande desastre” se eles forem finalmente executados.

O clérigo disse que o Governo, o sistema judiciário e os promotores –todos muçulmanos– se transformarão em apóstatas do Islã se cumprirem a sentença.

Considerada o braço da rede Al Qaeda no Sudeste Asiático, a Jemaah Islamiya nasceu em 1993 com o objetivo de estabelecer um estado islâmico na Indonésia, Malásia e no sul das Filipinas e Tailândia, e são atribuídos a ela alguns dos ataques mais sangrentos da região, entre eles o de Bali.

Fonte: Folha Online