O reverendo Berlin Guerrero, raptado no domingo passado enquanto voltava da igreja para sua casa em Biñan, em Laguna, foi encontrado neste sábado, com aparentes sinais de tortura, no campo de Pantaleon Garcia, perto de Laguana.

Guerrero, sua esposa e os três filhos participaram do culto dominical e voltavam para casa quando foram parados por volta das 17h30 (horário local) por duas vãs brancas. Testemunhas disseram que dois dos três ocupantes de uma das vãs capturaram Guerrero depois de golpeá-lo atrás da cabeça com uma arma. Eles correram rapidamente e deixaram para trás a mulher dele e os filhos.

O seqüestro de Guerrero dá seqüência ao de seu colega, o pastor Caloy Dela Cruz, capturado no último dia 29 de março em frente ao prédio do Seminário União Teológica, na Universidade Cristã, em Barangay Pala-pala.

O pastor Dela Cruz, contudo, foi solto no dia seguinte depois que seus raptores perceberam que ele não era Guerrero, ex-secretário -geral de Bagong Alyansang Makabayan (Bayan).

O superintenmdente-chefe Nicasio Radovan determinou a abertura de uma investigação sobre o caso.

Em um comunicado oficial, o superintendente de polícia de Cavite, Fidel Posadas, disse que ao contrário das últimas informações de que Berlin Guerrero foi seqüestrado por um militar, ele de fato foi preso por oficiais do serviço de inteligência do campo de Pantaleon Garcia. O mandado de prisão foi expedido pelo Tribunal Regional de Biñan, sob a acusação de conspiração e assassinato em 1991 e 1993.

A Igreja Cristã Unida das Filipinas, da qual pertence o reverendo Guerrero, condenou a ação, descrita como uma provável tomada de posição contra militantes e ativistas que defendem os trabalhadores das áreas mais pobres. Jornalistas e ativistas de direitos humanos têm sofrido ações similares. Há milhares de mortos, feridos e desaparecidos no país.

Militares filipinos classificaram a igreja como uma inimiga vinculada à uma organização de esquerda. Desde que a atual presidente, Gloria Arroyo, assumiu o poder, em 2001, mais de 30 pastores e diversos trabalhadores foram mortos.

Fonte: Portas Abertas