A Bíblia “não deve ser utilizada para justificar a opressão ou proporcionar comentários simplistas sobre acontecimentos contemporâneos”, concluíram participantes da conferência sobre o conceito de “terra prometida”, reunida pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Genebra, de 10 a 14 de setembro.

O conceito de “terra prometida” é central no conflito entre israelenses e palestinos. Ele trouxe novas perspectivas a líderes eclesiásticos e teólogos, que, disseram, mudaram de opinião sobre o conflito após as reflexões realizadas durante essa “confrontação construtiva” organizada pelo CMI.

Um dos resultados da conferência é o maior entendimento sobre a questão da terra na Bíblia. Os participantes entenderam que os anos de violência em Israel e na Palestina constituem uma interpelação aos teólogos cristãos para que concebam formas que “afirmem a vida” como resposta ao conflito.

O evento foi patrocinado pela Federação Protestante da Suíça e das Igrejas Reformadas Berna-Jura-Soleura e integrou as atividades do Fórum Ecumênico Palestina/Israel, uma iniciativa intereclesial de sensibilização. As 85 pessoas presentes ao encontro eram procedentes da Europa, Oriente Médio, das Américas, África e Ásia.

“As contribuições concretas dos cristãos palestinos aos debates ajudaram a transformar de forma significativa a maneira de ver os problemas”, disseram as igrejas anfitriãs em comunicado. “No marco de debates controvertidos, e às vezes apaixonados, foi sendo criada uma sensibilidade construtiva em relação aos temas centrais”, anotaram.

Professores da Europa e da América do Norte expuseram os progressos realizados durante anos de diálogos. Ao reconhecer essa ação reparadora entre cristãos e judeus, a Conferência expressou a esperança de que os cristãos da Palestina e de Israel sejam convidados a participar desses diálogos no futuro, bem como de diálogos similares com os muçulmanos.

“Continuamos examinando de forma crítica e criativa as noções de terra prometida”, descobrindo as metáforas que sustentam a vida na Bíblia e em nossas tradições, com o objetivo de promover a justiça, a paz, a reconciliação e o perdão, visando a plenitude da vida da terra e de todos seus habitantes”, enfatiza o documento final intitulado “Perspectiva de Berna”.

É particularmente importante fazer uma diferenciação entre a história bíblica e as histórias (narrações) bíblicas, e saber distinguir entre o Israel da Bíblia e o moderno Estado de Israel, afirma o documento.

Ao longo de nove debates de especialistas a conferência apresentou diferentes perspectivas em relação ao conceito de “terra prometida” e questões relacionadas. Será necessário continuar aprofundando a reflexão sobre as questões propostas e elaborar documentação pertinente para a sua utilização nas paróquias.

Durante a reunião os participantes visitaram a Casa das Religiões, estabelecida em Berna, depois de anos de esforços para estreitar e consolidar as relações entre cristãos, judeus, muçulmanos e outras comunidades religiosas.

No serviço ecumênico celebrado no final da reunião, o teólogo palestino padre Jamal Khader destacou a importância de Jerusalém para a paz, como lar de dois povos e de três religiões. “A paz começa em Jerusalém e se irradia a partir dali para todo o mundo”, sentenciou.

Fonte: ALC