Na tentativa de atrair um maior número de fiéis negros para a Igreja Católica, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) dedicou nesta sexta-feira, pela primeira vez em sua história, uma parte da programação de sua Assembléia Geral para discussões sobre a Pastoral Afro-Brasileira e defendeu a política de cotas para negros em universidades.

Os bispos aprovaram documento oficial no qual apontam quais são os cinco principais desafios da Pastoral Afro-Brasileira. A CNBB também deu aval para que padres negros adotem, nas celebrações de missas, métodos e culturas utilizadas tradicionalmente por comunidades afro-brasileiras.

O primeiro item do documento aponta que a igreja deve “fomentar e fortalecer os grupos de base nas comunidades”.

No documento, a CNBB diz que “a igreja não questionou de uma forma incisiva e em diversas situações compactuou com a escravidão”.

“Talvez esse seja um dos motivos porque hoje ainda há poucas vocações oriundas da cultura afro-brasileira na igreja”, conclui o texto.

Levantamento da igreja aponta que entre os 18 mil padres existem no Brasil, cerca de mil se autodeclaram negros.

Para o bispo de Paranaguá (PR), dom João Alves dos Santos, responsável pela Pastoral Afro-Brasileira, o principal desafio da entidade é que ainda há muitos negros que não se assumem como negros no país.

“O Brasil é veladamente racista. Ainda há muita discriminação e preconceito a ser vencido tanto na sociedade quanto na igreja”, disse o bispo.

“Como tema específico da Assembléia Geral, esta é a primeira vez que a pastoral [afro-brasileira] tem um tempo maior dedicado pelos bispos. Isso representa um caminho rumo à maturidade dos bispos no sentido de poder dar espaço e expressão a uma pastoral que representa quase metade da população do Brasil”, disse.

Sobre as cotas em universidade, o bispo disse que a CNBB é favorável, mas entende que é preciso “avançar” para que “toda a população”, e não só os negros, tenham acesso à educação. Segundo ele, a Pastoral Afro-Brasileira se formou em 1988, com a celebração do centenário da abolição.

Fonte: Reuters