A Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com abrangência no Paraná, apresentou aos fiéis uma Cartilha de Orientação Política com o objetivo de “ajudar no discernimento do perfil ético e das verdadeiras motivações daqueles que se apresentam como candidatos” às eleições municipais de outubro.

“A Igreja é proibida de exercer a política partidária e, neste caso, está orientando e fazendo uma ação política que visa a um bem comum”, justifica o secretário-geral da regional, padre Carlos Alberto Chiquim.

O documento tem 20 páginas e, segundo Chiquim, está fundamentado na Doutrina Social da Igreja. Na apresentação, o arcebispo de Curitiba e presidente da Regional Sul 2, dom Moacyr José Vitti, ressalta que a sociedade está “profundamente indignada” com a falta de ética na política. “A corrupção eleitoral está presente em todos os âmbitos”, salienta. “É preciso instalar uma nova consciência política iluminada pelo lema que mobilizou os movimentos sociais nos últimos anos: ”voto não tem preço, tem conseqüências”.”

Na cartilha, a Igreja discute conceitos de política e explica os deveres e direitos dos eleitos e eleitores. Ela destaca que política não se restringe às eleições, mas envolve toda a vida do cidadão, que é convidado a dela participar. “Politicagem é o abuso da ordem política, é o não atendimento ao bem comum”, diz. “Quem não participa da política favorece a politicagem e promove os politiqueiros.” Para isso, a orientação é que as informações da cartilha sejam discutidas com a família, amigos e a comunidade.

O voto é aconselhado. “Deixar de votar ou votar em branco é um crime contra a cidadania”, afirma. A palavra candidato, discorre a cartilha, tem origem latina e significa cândido, puro, branco. Na Roma Antiga, quem queria disputar cargo eletivo punha a túnica branca, que era símbolo de vida correta. “Se alguém tivesse conhecimento de algo de errado tinha o direito e o dever de jogar lama nele, e aí não podia mais disputar o Senado romano”, diz o padre Chiquim.

Princípios

Por isso, a Igreja aconselha que se analisem alguns princípios aos se escolher o candidato. A defesa da dignidade da pessoa e da vida é o primeiro deles. “Não devemos votar em candidatos que defendam projetos que visem a legitimar o aborto e a eutanásia”, decreta. Os outros são honestidade pessoal, compromisso com políticas públicas e com a comunidade, transparência, capacidade para administrar e campanha modesta. “Desconfie das campanhas milionárias. Elas facilitam a compra de votos e o eleito vai querer recuperar o investimento feito”, alerta.

A Igreja pede, ainda, que os eleitores fiquem atentos para as tentativas de compra de voto. “Os políticos que compram ou trocam o voto por favores não assumem compromissos, pois já pagaram ao povo o que receberam”, diz a cartilha. A orientação é para que essas tentativas sejam denunciadas à Justiça Eleitoral. “Precisamos denunciar os políticos aproveitadores, os sem caráter, os inescrupulosos que enganam os eleitores”, convoca. “Vamos trabalhar para que os maus políticos não sejam eleitos.”

Fonte: Estadão