A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pediu ontem ao Governo brasileiro “um gesto de boa vontade” para que negocie com o bispo Luiz Flavio Cappio que está em greve de fome em protesto por causa do projeto de transposição do Rio São Francisco.

O episcopado mostrou sua “preocupação” pelo estado de saúde do bispo, que mantém uma greve de fome há 13 dias, em comunicado que foi divulgado ontem no site do órgão.

A CNBB assegurou que solicitou uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “para discutir uma solução”, mas que ainda não recebeu resposta.

Fontes próximas ao religioso explicaram à Agência Efe que Cappio “se sente bem” e que está tomando um soro há quatro dias “por motivos políticos”.

“A estratégia do Governo é neutralizar a imprensa e a igreja para chegar depois e se apresentar como quem salvou a vida dele”, disse um porta-voz do bispo.

No dia 27 de novembro o bispo de 61 anos deu início ao protesto, assegurando que o manterá até o Governo deter as obras e “arquivar definitivamente” o projeto da transposição.

Este é o segundo jejum feito por Cappio contra a obra.

Em 2005, o bispo fez 11 dias de greve, que só interrompeu quando recebeu a visita de Lula, que lhe prometeu que suspenderia a idéia da transposição.

No entanto, o projeto se transformou em um dos mais destacados do ambicioso plano de desenvolvimento de infra-estruturas que o Governo Lula transformou no eixo de seu segundo mandato e que pretende impulsionar o crescimento do país.

As obras finalmente começaram em junho passado com a oposição de movimentos sociais, ecologistas, associações de agricultores e indígenas, que ocuparam as pedreiras das obras durante uma semana, até que foram desalojados pelo Exército.

Com um orçamento de quase US$ 3,5 bilhões, o projeto prevê a construção de dois canais que somam 720 quilômetros e que pretende levar água para a região Nordeste.

Os inimigos da idéia de transposição afirmam que as obras vão prejudicar o entorno natural do rio, que é o terceiro mais caudaloso do Brasil, e que só beneficiarão os grandes exportadores agrícolas da região.

Fonte: EFE