A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) no Rio Grande do Sul defendeu nesta terça-feira a investigação das denúncias de irregularidades no governo de Yeda Crusius (PSDB) “até as últimas conseqüências” para punir os culpados e ressarcir aos cofres públicos.

A posição da entidade foi tomada após reunião do presidente da regional Sul da CNBB, bispo d. José Mário Stroeher, e o presidente da CPI do Detran, deputado Fabiano Pereira (PT). O encontro foi na sede da CNBB em Porto Alegre a pedido de Pereira.

“Defendo que os órgãos competentes de fiscalização exerçam seu papel de controle e investiguem [as denúncias] até as últimas conseqüências. Não só com a punição, mas com a reparação dos recursos públicos desviados”, afirmou d. José Mário.

Nos últimos dias, o governo de Yeda Crusius foi alvo de denúncias de desvios de recursos de estatais gaúchas para financiamento de campanhas eleitorais. A tucana demitiu alguns de seus auxiliares diretos e pediu ontem que todo o secretariado colocasse os cargos à disposição. A governadora vai montar um governo de transição na tentativa de buscar soluções para a crise.

D. José Mário disse acreditar que as irregularidades divulgadas agora acontecem há vários governos, que de alguma maneira permitiram a corrupção ou não tomaram as devidas providências.

“Isso me entristece profundamente, porque eu achava que aqui [no Rio Grande do Sul] havia um modo diferente de fazer política. Eu lamento isso tudo”, afirmou o bispo, que pediu “transparência” e “honestidade” na gestão pública. “Eu faço um apelo pela ética.”

O deputado Fabiano Pereira disse que pediu o encontro com d. José Maria porque no último fim de semana a CNBB já havia manifestado preocupação com a situação do Estado. No encerramento da 5ª Ação Evangelizadora da Igreja Católica no Rio Grande do Sul, os bispos divulgaram uma carta aberta na qual manifestam preocupação com o momento político no Estado.

“A posição da CNBB favorável ao aprofundamento das investigações é fundamental para a conclusão do trabalho da CPI do Detran. A pressão da sociedade e da opinião pública foi o que garantiu que as investigações chegassem até aqui”, afirmou.

Fonte: Folha Online