Bispo convoca sobretudo os jovens a se mobilizar contra as drogas e a corrupção.

O presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Raymundo Damasceno, defendeu ontem que a parte da sociedade que é contra o uso de drogas se mobilize e promova “marchas contra a maconha”.

Marcado anteriormente, o evento “Louco pela Vida! Drogas Tô Fora” reuniu 3 mil pessoas ontem, em Curitiba, e serviu, na prática, como o primeiro evento contrário à maconha, contando com líderes religiosos, ONGs, polícia e Exército.

O cardeal preferiu não questionar diretamente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, na quarta-feira, liberou as manifestações a favor do consumo da maconha em todo o País. Segundo ele, o STF “não fez nenhuma apologia ao uso da maconha”, mas apenas permitiu a manifestação em favor da “descriminalização do dependente”.

No entanto, ele ponderou que muitas famílias podem ter visto a decisão com surpresa. “Não sei como um pai de família, a pessoa que está vivendo um problema de drogas em sua família, recebeu essa decisão do STF.”

Para o cardeal, a sociedade deve estar “atenta” e não pode se deixar levar pela posição de apenas uma parte. “As pessoas que se opõem ao uso da droga devem ter também uma posição clara e se manifestarem.”

Ele ainda incentivou as “muitas vítimas na nossa sociedade” a organizarem as marchas contra as drogas. “É isso que queremos”, afirmou. “Não queremos jovens anestesiados, indiferentes a situações que vivemos e não concordamos”, prosseguiu, incentivando sobretudo a juventude a se levantar não só contra o uso da maconha, mas também contra a corrupção. “A sociedade tem de acordar contra o que se passa na vida pública.”

Tratamento. Depois de ressalvar que o dependente de drogas não deve ser criminalizado, mas tratado, como a própria Igreja faz em diversos centros, o cardeal Damasceno reiterou que “não se pode permitir de qualquer forma o tráfico, a produção e a comercialização das drogas”. Ele insistiu que “a Igreja se opõe ao uso de qualquer tipo de droga, a não ser em casos terapêuticos, quando cabe ao médico decidir se usa ou não determinada droga”.

[b]Fonte: Estadão[/b]