Segundo o o colunista Paulo Teixeira, o discurso do pastor Silas Malafaia (foto) é contraditório quando ele dá a entender que pode-se votar no candidato que apoia a parada gay e a Marcha para Jesus.

No último Sábado, 14/04, o pastor Silas Malafaia deu continuidade às suas denúncias contra o que ele classificou como “ditadura gay” e afirmou que os ativistas gays querem taxar a Bíblia como um livro homofóbico.

Silas Malafaia falou também sobre política, e eleições municipais, e afirmou que “nós [evangélicos] não podemos ser sectários como eles [ativistas gays]”.

O pastor incentivou aos fiéis que acompanham seu programa a levarem em consideração a opinião dos candidatos a prefeito sobre os que estão em discussão nacional atualmente. O pastor afirmou que se o candidato apoia a realização da Parada Gay, mas também apoia a Marcha para Jesus, está “ok”, pois o que seria realmente importante seria a opinião desse político sobre aborto e casamento gay: “É isso aqui. Vamos votar em quem? Porque esse prefeito amanhã é deputado federal, senador… Vai fazer leis”.

Em análise à opinião do pastor Silas Malafaia sobre política, o colunista do site Holofote.net, Paulo Teixeira publicou artigo afirmando que “fica evidente que seu discurso é contraditório”, fazendo referência às críticas que o próprio Malafaia fez ao evento homossexual em São Paulo e aos princípios defendidos pelos ativistas gays nesses encontros.

Teixeira afirma ainda que os governos municipais não devem privilegiar uma parcela da população em detrimento de outras: “Algumas prefeituras e estados costumam destinar verbas públicas para paradas gays. É lícito fazer o mesmo para eventos evangélicos? Não. Governo algum deve meter a mão no dinheiro público para patrocinar eventos de um ou mais segmentos, em detrimento de outros”.

O colunista Paulo Teixeira ainda rebate as afirmações do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo sobre levar em consideração a opinião dos candidatos a respeito dos temas que envolvem aborto e casamento gay: “Saber ou não saber o que um candidato pensa, às vezes, não adianta nada. Tem-se o exemplo no próprio Rio de Janeiro. Em 2005 o então senador Sérgio Cabral candidatou-se ao governo do estado do RJ e recebeu apoio de grandes líderes evangélicos. Muitos destes sabiam que o senador Cabral era autor da PEC 70, a qual visava alterar o parágrafo 3º do artigo 226 da Constituição Federal, para permitir a união estável entre casais homossexuais (‘casamento gay’). Mesmo assim fizeram ‘vistas grossas’. Silas Malafaia foi um dos que apoiou Sérgio Cabral explicitamente”, relembra.

Confira abaixo a íntegra do artigo de Paulo Teixeira, publicado no Holofote.net:

Analisando as palavras do pastor Silas Malafaia, as coisas vão ficando mais aclaradas.

O pastor dá a entender que se um prefeito qualquer apoia a parada gay, mas também apoia a Marcha para Jesus, pode-se votar nele.

Análise 1: fica evidente que seu discurso é contraditório. Normalmente as atuais paradas gays tem como objetivo principal a reinvindicação dos ideais dos ativistas (‘casamento’ gay, PLC 122, adoção de crianças por ‘casais’ gays, etc). É justamente alguns destes ideais que o pastor Silas Malafaia tem denunciado.

Análise 2: algumas prefeituras e estados costumam destinar verbas públicas para paradas gays. É lícito fazer o mesmo para eventos evangélicos? Não. Governo algum deve meter a mão no dinheiro público para patrocinar eventos de um ou mais segmentos, em detrimento de outros.

Silas Malafaia também alerta aos eleitores para procurarem saber qual a opinião do candidato a prefeito sobre aborto e ‘casamento gay’, pois, segundo ele, amanhã aquele prefeito poderá ser deputado ou senador.

Análise: mais um discurso incoerente. Que relação existe entre um candidato a prefeito que supostamente poderá ser um deputado ou senador? As eleições para prefeito não coincidem com as de deputados ou senador. Isto implica que quando um prefeito estiver chegando ao final de seu mandato, não poderá candidatar-se, naquele ano, a deputado ou senador, pois as eleições para estes cargos somente ocorrerão dois anos após.

Além do mais, saber ou não saber o que um candidato pensa, às vezes, não adianta nada. Tem-se o exemplo no próprio Rio de Janeiro.

Em 2005 o então senador Sérgio Cabral candidatou-se ao governo do estado do RJ e recebeu apoio de grandes líderes evangélicos. Muitos destes sabiam que o senador Cabral era autor da PEC 70, a qual visava alterar o parágrafo 3º do artigo 226 da Constituição Federal, para permitir a união estável entre casais homossexuais (‘casamento gay’). Mesmo assim fizeram ‘vistas grossas’. Silas Malafaia foi um dos que apoiou Sérgio Cabral explicitamente.

Malafaia disse que se um prefeito tem sob sua gestão uma Secretaria da Diversidade Sexual, não vê problema algum em se votar nele, desde que este prefeito não seja adverso aos cristãos.

Análise: Mais uma contradição em seu discurso. Normalmente Secretarias da Diversidade Sexual tem por objetivos proporem políticas públicas de promoção da ‘cultura gay’, assim como resguardar direitos que favoreçam a visibilidade e o reconhecimento social dos cidadão LGBT. É justamente tais intentos que o pastor Silas Malafaia denuncia em seu programa – o tratamento diferenciado desejado pelos ativistas gays.

Cita-se como exemplo de um tratamento diferenciado, privilegiando os gays, é o que faz a Coordenadoria da Diversidade Sexual do Município do Rio de Janeiro, criada em 2011 pelo prefeito Eduardo Paes. Um dos projetos é o ‘Projeto Damas‘, cujo fim é treinar homossexuais pobres (heterossexuais pobres estão fora) para inserção no mercado de trabalho, os quais recebem um auxílio financeiro mais vale transporte para capacitação teórica e prática.

Eduardo Paes não tem medido esforço algum para que o Rio seja a capital mundial gay. Conforme publicou o Jornal britânico The Guardian, as políticas implementadas por Paes, voltadas aos gays, tem por fim tornar o Rio a maior referência mundial aos homossexuais.

Para isto um vídeo foi produzido para a Riotur (órgão da Prefeitura) e a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual, e exibido na International Gay and Lesbian Association, em Fort Lauderdale, nos EUA, a fim de chamar a atenção do público gay mundial de que o Rio é o melhor cenário para eles. O vídeo tem gerado críticas, sendo acusado por alguns de estar fazendo apologia ao turismo homossexual.

Vejamos agora então sobre as eleições 2012 no Rio de Janeiro

Um café realizado no dia 08 de fevereiro de 2012 pelo Conselho de Ministros Evangélicos do Estado do Rio de Janeiro (Comerj) contou com a participação de centenas de líderes evangélicos de diversas denominações, como também do prefeito da Cidade, Eduardo Paes(PMDB).

Durante o evento, o pastor Silas Malafaia, presidente do Comerj, comentou sobre política e disse que a Marcha para Jesus que ocorrerá em 21 de abril de 2012 contará com o total apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o que foi corroborado pelo prefeito. Eduardo Paes anunciou aos presentes que o ‘Rio de Janeiro terá a maior e melhor Marcha para Jesus de todos os tempos’. Paes fez questão de dizer que marcará um encontro com pastores evangélicos no Palácio da Cidade para tratar de assuntos relacionados à Cidade.

No evento, os pastores presentes ouviram de um pastor de expressão nacional a seguinte frase sobre o Prefeito Eduardo Paes: ”ele [o prefeito] tem lá seu negócio com o arco-íris [agenda gay], mas quem sabe ele pode até aceitar Jesus!”.

Segundo informações da Coluna Radar On Line, do jornalista Lauro Jardim, da Revista Veja, o pastor Alexandre Isquierdo, pessoa de confiança do pastor Silas Malafaia, virá como candidato a vereador pelo Município do Rio, pelo mesmo partido do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Apesar de Isquierdo ser o chefe de gabinete do deputado estadual Samuel Malafaia, não virá candidato pelo mesmo partido dele, o PSD. Logicamente quem vai se dar bem nesta história será o próprio prefeito Paes. É tudo casual?

Conclusão

1) O prefeito Eduardo Paes sempre mostrou apreço pela parada gay e pela primeira vez apoiará a Marcha Para Jesus (em 2009, 2010, 2011 não precisava do voto dos evangélicos, mas em 2012 precisa). (O prefeito apoia a parada gay, mas também a Marcha para Jesus, então pela lógica do pastor Malafaia, pode-se votar nele).

2) Eduardo Paes não fala sobre aborto e casamento gay (isto não cabe ao poder municipal). Qual a opinião do prefeito sobre aborto e casamento gay? então … (pergunte ao pastor Malafaia se deve-se votar neste candidato).

3) Eduardo Paes criou em 2011 a Secretaria da Diversidade Sexual e defende a bandeira do arco-íris, mas não se mete com os evangélicos. (Então pela lógica do pastor Malafaia não há problema algum em se votar nele).

[b]Fonte: Gospel+[/b]