Quem acha que só a Rede Record investe em programas de conteúdo bíblico, vai se surpreender ao saber que o programa mais assistido nas ultimas duas semanas nos Estados Unidos é a minissérie “The Bible”(ou, “A Bíblia”), exibida pelo History Channel.

“The Bible” foi uma aposta ousada do canal por assinatura. Trata-se de uma superprodução com um investimento de quase 22 milhões de dólares, capitaneada pelos produtores Roma Downey e Mark Burnett, mundialmente conhecidos por estrondosos sucessos de audiência como “Survivor”, “Celebrity Apprentice” e a versão original do “The Voice”. Além disso, a série tem trilha sonora original de Hans Zimmer (“Top Gun”,”Gladiador”, “O Rei Leão” e “o Cavaleiro das Trevas”) e efeitos especiais de primeira linha. Dentre os atores, está curiosamente, um português, Diogo Morgado, que faz o papel de Jesus e vem arrancado suspiros do público feminino.

A minissérie esta sendo exibida em capítulos semanais de duas horas de duração, em horário nobre, domingo das 8 às 10 da noite, e se tornou o carro-chefe da grade de programação do History Channel. A escolha desse horário certamente tem como objetivo, alcançar as famílias cristãs espalhadas pelo país, já que a maioria das igrejas evangélicas por aqui, não tem culto domingo à noite.

Mark e Roma, que são casados, consultaram diversos pastores e lideres evangélicos durante a produção e tentaram fazer uma narrativa bem fiel ao texto original. Dentre os pastores consultados, estão Joel Osteen, de quem são amigos pessoais, Rick Warren, Luis Palau e Frank Wright, além de Rabis e até mesmo um cardeal da igreja católica. Os produtores também tiveram um time de historiadores, arqueólogos e teólogos dando suporte ao projeto.

O investimento tem dado mais do que certo; só na primeira semana de exibição, “The Bible” ultrapassou a marca de 13 milhões de expectadores, se tornando a produção a cabo mais assistida esse ano.

Sucesso de público, mas não de critica, contudo. Mal começou, a série já recebeu críticas bastante contundentes da mídia especializada. Além de criticar os aspectos técnicos e dramáticos, existem grupos revoltados com a exibição de uma série baseada na Bíblia; os ultra liberais chegaram mesmo a fazer protestos públicos, querendo impedir a veiculação do programa. Se fosse uma série sobre o Alcorão, duvido que houvesse qualquer protesto. Visivelmente há um viés contra o Cristianismo na mídia americana. Mas, é claro, que depois do sucesso do primeiro capítulo o History Channel nem pensa em tirar a série do ar.

Quando soube da produção, fiquei bastante entusiasmado, principalmente ao saber que o History Channel estaria envolvido. Sou frequentador assíduo do canal que tem ótimos programas e documentários. Mas, quando assisti ao primeiro episódio fiquei desapontado.

Na verdade, “The Bible” não é um documentário, mas sim uma dramatização estilizada. Claro que com produção de primeiro mundo, bons atores , boa música e coisa e tal, mas no fundo não passa de algo semelhante a um daqueles novelões da Record. Não há nenhum tipo de dado arqueológico, novas descobertas, opiniões de teólogos e estudiosos. É bem brega mesmo, com atores bonitões e figurino elaborado, totalmente díspares da realidade histórica, apenas mais um dramalhão.

A Bíblia diz que a Palavra de Deus não volta vazia (Is. 55:11), por isso acho que no final das contas, a existência dessa minissérie é algo positivo para o evangelho. Certamente alguém vai ser tocado pela mensagem e talvez sinta interesse em conhecer mais sobre a Bíblia. Mas, os produtores e o History Channel não estão nem um pouco preocupados com isso; trata-se de um projeto comercial com fins mercantilistas. Não sei quando a série vai ser exibida no Brasil, mas mesmo com todos os pontos negativos que eu levantei, ainda acho que seria uma diversão bem mais saudável do que Big Brother Brasil e outras excrescências que existem por aí.

Mas, tenho que confessar que achei a produção meio insuportável. Decidi nem mesmo gravar os outros episódios. Se não há análise ou informações arqueológicas e teológicas, melhor mesmo é ler a Bíblia do jeito antigo.

Um abraço,

Leon Neto