Admirada não somente por sua beleza, mas também por seu engajamento em causas sociais importantes, Angelina Jolie chocou o mundo quando anunciou sua recente mastectomia dupla. A justificativa foi dada por conta de uma anomalia genetica que indicava uma probabilidade de quase 90 % de chance de desenvolvimento de câncer de mama, causa da morte da mãe da atriz.

Jolie, filha dos também atores Jon Voight e Marcheline Bertrand, teve uma infância e adolescência comfortáveis do ponto de vista econômico, mas bastante atribulados. Seus pais se separaram quando ela nem tinha completado o primeiro ano de vida e na adolescência começou a demonstrar um comportamento rebelde, auto destrutivo e acabou se envolvendo com drogas pesadas.

Mesmo tendo pedigree hollywoodiano, o sucesso como atriz só foi bater em sua porta aos 22 anos, quando ganhou um Globo de Ouro por conta de um filme feito para televisão em 1997. No ano seguinte ganhou outro Globo de Ouro, dessa vez pela sua ótima atuação no filme “Gia”, produzido pelo canal à cabo HBO. No filme, Angelina interpreta a ascensão e queda da modelo Gia Carangi, que brilhou nas passarelas nos anos 80, mas que morreu de Aids por conta de sua dependência em drogas.

De lá para cá, Angelina emplacou um sucesso atrás do outro e se tornou uma das celebridades mais badaladas do mundo, pelo seu sucesso como atriz e por conta de sua vida particular. Desde 2001, Jolie tem se envolvido com organizações humanitárias e já recebeu diversos prêmios em reconhecimento por sua luta contra a miséria. Em 2002, quando ainda estava casada com o ator Billy Bob Thornton, Angelina adotou um bebê cambojano e mais tarde, já com Brad Pitt, outros dois, um do Vietnam e outro da Etiópia. Com o ator Brad Pitt, Angelina teve além de seus filhos adotados, uma menina e em 2008, um casal de gêmeos.

Angelina é um dos alvos prediletos de paparazzi e colunistas de celebridades. Vira e mexe, ela se envolve em alguma polêmica, como por exemplo, seu romance com Brad Pitt durante as filmagens do filme “Mr. and Mrs. Smith”, quando ele ainda estava casado com Jennifer Anniston, sua defesa pelo casamento homosexual ou suas múltiplas adoções. Mas, a notícia sobre sua dupla mastectomia, barrou todo esses.

Não há como negar que foi uma decisão extremamente corajosa por parte da atriz. Especialmente porque em seu meio de trabalho, a aparência física conta muito. Angelina afirmou que o que mais pesou em sua decisão foi o fato de ter visto sua mãe morrer ainda jovem e de não querer que seus filhos passasem pela mesma situação. Muito nobre, sem sombra de duvidas.

Só espero que a atitude de Angelina Jolie não desencadeie uma onde de mastectomias de forma indiscriminada, já que o procedimento é bastante drástico e merece muita reflexão. Drauzio Varela, semana passada alertou para o fato de que nem todos os médicos recomendam a mastetctomia nesses casos e que há alternativas. Cada caso tem que ser analizado detalhada e individualmente. Decisão bastante séria, tão séria e difícil quanto a de adotar um filho. Decisões que não devem ser banalizadas pela midia ou pelos fãs.

Angelina tem posicionamentos que contrariam nossa fé cristã, mas em alguns aspectos está fazendo mais do que muitas organizações evangélicas por aí. Em um meio fútil e ganancioso como o show business, ela tem demonstrado altruismo, compaixão e desprendimento. Tem gasto seus milhões de forma muito mais nobre do que alguns “mega pastores” que compram propriedades luxuosas e andam de jatinho para cima e para baixo. Ação social e evangelismo deveriam andar de mãos dadas em nossas igrejas. Falta coragem; coragem que sobra em Angelina Jolie.

Um abraço,

Leon Neto