Quando Paulo escreveu aos Colossenses, o contexto era o seguinte:

Os discípulos viviam acossados por judeus persecutórios da fé no Evangelho [no 1º século].

Além disso, também eram perturbados por cristãos “judaizantes”, os quais desejam que o Evangelho fosse apenas um confeito posto sobre o judaísmo legalista.

E mais: também eram alvo da tentativa de sedução dos gnósticos, os quais desejam conciliar o gnosticismo com a fé em Jesus.

Por isto Paulo lhes disse:

“Pois, em Cristo, habita corporalmente toda plenitude da divindade.”

E mais:

“Nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.”

Ora, quando disse: “…em Cristo, habita corporalmente toda plenitude da divindade” — o apostolo dizia aos discípulos na cidade de Colossos, que em Jesus tudo quanto concernia aos homens em relação a Deus, já estava corporificado para sempre; sendo esta a razão pela qual nenhum outra revelação, mesmo de Moisés, continuaria vigente, visto que em Jesus tudo se cumpriu.

Quando, porém, disse: “Nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento ” — Paulo falava, sobretudo, aos gnósticos, os quais anunciavam a salvação pelo conhecimento de sabedorias ocultas ao povo. Ora, era em razão disso que tentavam seduzir os discípulos, supostamente adicionando ao ensino de Jesus os elementos do gnosticismo, com suas dualidades, dicotomias, e, além disso, com suas duas versões prevalentes: a de que toda matéria era má, e, por isto, no corpo se deveria ter toda assepsia, e, no espírito, toda busca de saberes; e, a outra versão, que se fundamentava na mesma dualidade corpo/espírito, mas, acrescentava que como a matéria [corpo] era má e o espírito bom, só era pecado aquilo que se fazia espiritualmente; abrindo-se, assim, espaço para o trato irresponsável e até promiscuo do corpo.

Ora, os evangelhos gnósticos achadas recentemente [algumas décadas atrás]—Evangelhos de Judas Iscariotes, Maria Madalena, Tomé, etc. — já eram circulados na metade do 1º século, talvez não como textos atribuídos a Judas Iscariotes, Maria Madalena e Tomé, mas, no entanto, já com os conteúdos pervertidos acerca de Jesus; e que, posteriormente, foram atribuídos a tais pessoas da companhia de Jesus; e isto, supostamente, a fim de dar “credibilidade” ao ensino enganoso e pervertido que divulgavam, corrompendo o Evangelho de Jesus.

Assim, Paulo ensina:

1. Que Jesus é a única teologia de Jesus. Afinal, Nele, habita corporalmente, encarnadamente, toda a plenitude da divindade. Por isto, o que Paulo faz é ecoar Jesus quando disse: “Quem me vê a mim, vê o Pai… Eu e o Pai somos Um”. Assim, quando Paulo diz “corporalmente”, ele diz também que qualquer teologia só se sustenta como aprendizado do pensar, dos modos e jeitos de ser de Jesus.

2. Que Jesus é toda a sabedoria de Deus para o homem e para a vida. Afinal, Nele habita todo tesouro de sabedoria e de conhecimento”.

Ora, diante disso, se sou discípulo, fico sem teologia clássica, graças a Deus; e, em contraposição, fico com a teologia como observação que corre para tornar-se prática na vida conforme Jesus; e somente isto.

Mais ainda:

Se sou discípulo, já não tenho ambição por qualquer saber que não se coadune com o Evangelho.

E ainda:

Fico sabendo que no Evangelho, em Jesus, se eu me abrir, acho tudo quanto o ser precisa como tesouro para vida.

Você pode aceitar que em Jesus você tem tudo?

Ora, quem assim não pensa ainda não entendeu a riqueza do tesouro em Jesus, e, nem tampouco, compreendeu que em Jesus Deus está todo e escrachadamente revelado.

Quem faz objeções se tornou inviável, pelo menos por hora…

Nele, que é tudo o que preciso,

Caio