Aos domingos à noite o Discovery Channel está exibindo uma séria de programas intitulados de “Assombrações”.

São programas baseados em fatos reais (como se houvesse fatos que possivelmente fossem irreais; pois, se é fato, é real, ou não é fato) — os quais, em geral, falam de casas mal assombradas, e de famílias que, mudando para tais residências, sem que nada soubessem sobre qualquer passado dos moradores anteriores da casa, ou de possíveis acontecimentos previamente ocorridos no lugar ou quintal ou área, passam a ser assombradas por toda sorte de manifestações espirituais, desde visões de pessoas, ou flashes de acontecimentos bizarros e inexplicáveis; bem como audições de vozes ou acontecimentos de natureza psicofísica; como objetos se movendo, se projetando ou sendo arremessados contra pessoas; ou ainda, manifestações de estranhas personalidades nos habitantes da casa, podendo levar à loucura, à possessão, e ou até mesmo a tamanhas desconstruções familiares, que, em geral, deixam os habitantes do lugar em estado de total animosidade homicida.

De fato, as evidencias e as quantidades dos fenômenos acontecem em volume tão avassalador que, aparentemente, já nem mais se pergunta se tais coisas são reais ou não, como a “ciência” costumava fazer até vinte anos atrás — ou nem mesmo se busca mais aquele tipo de explicação “parapsicológica”, ao velho estilo “padre Quevedo”.

Entretanto, a pergunta de sempre continua: qual a origem de tais fenômenos?

Nos documentários dá-se como certo que são, de fato, manifestações de mortos infelizes ou perversos que habitaram o lugar um dia. Mesmo quando os que são chamados a tratar do assunto in loco são padres ou pastores — a conclusão é a mesma: mortos assombram os lugares; o que, nesse caso, seria uma corroboração da tese espírita tradicional.

Eu, todavia, não encontro na Bíblia a declaração de que sejam mortos os que assim fazem em tais lugares. Ao contrário, as Escrituras são explicitas quando se trata de não invocar mortos; e, ainda, quanto a não atribuir tais fenômenos à presença de seres humanos desencarnados e vagantes pelas localidades — ou mesmo a elas presos pela impossibilidade de se afastaram. Isto sem entrarmos no fato de que Jesus nunca tratou lugar algum com tais interpretações, e nem mesmo ao expulsar um “espírito imundo” ou “demônio” tenha sugerido que se tratava de um espírito humano vagando pelo lugar ou obsedando as mentes fracas ou desprotegidas.

Além do que, ainda haveria a implicação de que caso tais coisas fossem como são em geral cridas quanto à sua origem — isto contrariaria a tese simples relacionada ao ensino de Jesus e dos apóstolos acerca do mundo espiritual e da certeza quanto ao fato de que aos homens está destinado morrerem somente uma vez; bem como quanto ao fato de que os que daqui partem, daqui partiram, e já não voltam. Afinal, caso voltassem, não seria concebível crer que Jesus tivesse sido omisso sobre ocorrência tão importante, e, nesse caso, também muito mais prioritárias do que o trato da ressurreição dos mortos, posto que tais coisas são muito mais freqüentes do que a ressurreição na experiência e na crença dos humanos.

A pergunta, portanto, continua: qual a origem de tais fenômenos, como casas mal-assombradas ou lugares de opressão espiritual?

Ora, aquilo sobre o que Jesus não falou, pode ser no máximo objeto de especulação — nada além. Entretanto, todos sabem que a resposta simples e clássica que foi dada até hoje, é aquela que apenas e simplesmente diz: “É coisa do diabo!”

Para os cristãos essa é uma resposta satisfatória, porém, para bilhões de seres humanos, não é.

O que será então?

Ora, aqui apenas dou a minha opinião, e, neste caso, ela se circunscreve exclusivamente ao fenômeno das casas ou lugares mal-assombrados. Eu mesmo já estive em tais lugares e já tive tais experiências ajudando outros.

Em minha maneira de ver o fenômeno acontece da seguinte maneira:

1. Tais lugares, invariavelmente, foram objetos de dramáticas experiências de ódio, amargura, culpa, injustiças sistemáticas, perversidades crônicas, abusos, mortes, e toda sorte de maldades e demências encarnadas por pessoas, algum dia. Esta marca está presente em todas as ocorrências.

2. Eu creio que enquanto os humanos estão vivos e habitando um mesmo lugar por muitos anos, especialmente se nas condições acima descritas, e, também, se maldades e covardias são sistematicamente praticadas por e contra seres humanos igualmente residentes no local — deixam energias de natureza psíquica muito forte no ambiente. Isto porque, eu creio que a mente em dor, amargura, ódio e perversidade; ou a mente injustiçada, abusada, e contra a qual foram perpetrados atos de maldade — imprime algo mais sofisticado do que uma mera fotografia ou memória fixa no ambiente; mas deixa nele (no ambiente) algo que mais se assemelharia a um holograma psíquico, ou mesmo a um filme em 3-D. Sim, é minha convicção que a alma humana tem esse potencial de projeção da dor, de tal modo, que as alusões que Isaías e o Apocalipse fazem a tais lugares, simbolizados por Babilônia e outras cidades, é algo mais que simbólico.

3. Entretanto, tais impressões deixadas com a sofisticação de um holograma ou de um filme tridimensional, não têm o potencial de se auto-projetarem, a menos que dois outros fenômenos se manifestem: a) forças demoníaco-espirituais que as usem como condutores e mídias de suas próprias maldades (as quais um dia foram emuladoras dos vivos que as praticaram na história); b) agentes receptores, conscientes ou inconscientes, presentes no ambiente; ainda que seja uma câmera ali posicionada por um estudioso do assunto (o qual, pela curiosidade, já se torna agente estimulador e receptor do fenômeno).

Assim, temos o fato histórico feito de maldades; temos os emuladores de tais fatos oriundos do mundo espiritual (demônios, espíritos imundos, segundo Jesus); e temos, agora, anos depois de tais ocorrências, agentes humanos receptores, sejam eles conscientes (e potencializados pelo medo ou pela crença); inconscientes (porém sensíveis psicológica e espiritualmente); e curiosos ou desafiadores, e, portanto, abertos, mesmo que pela negação, aos fenômenos; posto que mesmo um cético, ao interessar-se supostamente de modo descrente em tais coisas, faz sua própria confissão de crença negativa, o que equivale, espiritual e psicologicamente, a um desafio a tais existências — o que é também um agente de emulação humana ao fenômeno espiritual original.

Ora, assim como o corpo sem o espírito está morto (conforme a existência o comprova, e Tiago afirma como coisa óbvia) — do mesmo modo, tais ocorrências de dor, ódio, amargura e crueldades um dia existentes num certo lugar (e que seriam, do ponto de vista psico-espiritual algo semelhante a um “corpo de projeções”), não teriam vida de si mesmas sem a presença dos mesmos poderes espirituais que um dia as emularam nos humanos que as praticaram antes de morrerem — ou seja: forças demoníacas. Além disso, tais forças demoníacas que usam tal “corpo de projeções psicofísicas”, também precisam de agentes humanos vivos a fim de expressarem o mesmo padrão de ódio; perpetuando, assim, a maldade de “um outro tempo”, agora sobre uma nova geração.

A pergunta que fica, todavia, é: por que seres espirituais usam tais ocorrências, ao invés de simplesmente não produzirem outras, ou, mesmo apenas tentarem emular a mesma maldade em outra geração de humanos — e isto sem a presença de assombrações como se procedessem de mortos?

Pessoalmente eu creio que todos os demônios estão espiritualmente condicionados em relação às suas manifestações entre os humanos. Do contrário, a existência na Terra seria absolutamente impossível. Entretanto, pode-se ver tal limitação imposta por Deus aos espíritos demoníacos, tanto no Gênesis, quando Serpente fica condicionada a comer o pó da Terra a fim de existir para os humanos (declaração simbólica, é claro!); como também no livro de Jó, quando se diz que Deus colocou limite a Satanás quanto a fazer mal ao patriarca justo; como ainda no pedido dos demônios que possuíam o Gadareno, usando os elementos da cultura de Geresa e Gadara (conforme tenho escrito há anos), quando pediram a Jesus que não os mandasse “para fora do país”, preferindo o condicionamento da entrada nos porcos do que o exílio no abismo; como ainda no Apocalipse, quando se diz que haverá um dia em que Satanás será solto sem limites sobre a Terra. Assim, nessas ocorrências, bem como em diversas outras, se tem na Escritura a afirmação da limitação do “mistério da iniqüidade”, o qual é “detido” (conforme a linguagem de Paulo); pois, do contrário, a existência humana seria impossível.

É por esta razão que os demônios precisam usar o que os humanos oferecem a eles. Entretanto, no caso em questão, que é o dos lugares mal-assombrados, o fenômeno de tal limitação acontece conforme descrevi acima — isto conforme a minha opinião.

Desse modo, no caso de casas mal-assombradas, o que se tem é uma ação tripartite: ocorrências históricas de maldade humana emuladas por demônios; as projeções de um “corpo de memórias” de natureza psicofísica que são impressas no lugar e em seu ambiente como se fosse uma memória de um holograma ou de um filme; e “projetores-receptores” de tais coisas — os quais, no caso, é uma nova pessoa vivendo no lugar; ou mais de uma; todas sensíveis ou desguarnecidas espiritualmente. Sim, porque nem todas as pessoas ou famílias, quando expostas a tais ambientes carregados, sofrem de tais males.

Ou seja: assim como existe o Inconsciente Coletivo Psicológico, também existe o Inconsciente Coletivo Espiritual, o qual é emulado por demônios, assim como o Inconsciente Coletivo Psicológico é emulado pela acumulação das manifestações arquetípicas de sucessões de gerações de seres humanos vivos. Entretanto, no caso do fenômeno dos lugares mal-assombrados, tais fenômenos misturam essa duas dimensões.

Desse modo, existe o condicionamento dos espíritos demoníacos às “mídias”, assim como o espírito do homem está condicionado ao seu corpo, que é seu meio ou mídia, enquanto ele vive na carne.

Ora, esses fenômenos de natureza aleatória não necessitam de “invocações” conscientes, sendo apenas manifestações que, em encontrando mentes fragilizadas, sensíveis ou susceptíveis, reeditam-se pela vida do medo, da impressão ou da exposição ao ambiente — e isto sob a emulação de demônios, os mesmo que, no passado, se utilizaram de pessoas naquele ambiente, a fim de gerarem as expressões de ódio (e seus derivados) que se tornaram, mesmo após a morte dos implicados, numa espécie de “corpo de projeção psicofísica”, o qual se reviverá pela própria ação dos demônios, posto que estão limitados a fazer coisas predefinidas pelos “corpos”, sejam os físicos (no caso de vivos), como também de corpos psicofísicos, no caso de pessoas já haverem morrido, porém, por anos, antes disso, emanando as projeções do mal que praticavam ou recebiam no lugar. E mais: para que o ciclo se feche como uma “assombração”, é ainda necessário que haja receptores humanos que recebam e re-projetem tais memórias – filmes – hologramas psicofísicos.

Oram, sem isto não há assombrações!

É minha convicção, absoluta, que todo aquele que anda em fé, e, portanto, sem medo, crendo que todo principado, potestade e poder estão sob os pés de Jesus — tanto não ficam sujeitos a tais influências, como também suas presenças, em Deus, desconstroem tais poderes no ambiente.

Quem anda com Jesus, em fé que se apropria da Promessa da proteção (vide Salmo 91) — esse é assombrador de assombrações; e nada tem a temer; posto Aquele que nele habita é o Mais Valente; e é maior tal Poder do que qualquer outro que no mundo esteja; e o maligno não lhe toca.

Ora, acerca disso eu teria muito mais a dizer, mas ficará para outra ocasião.

Quem, porém, se interessar por essa segunda parte, me escreva lembrando, e eu terei prazer em prosseguir.

Nele, sob cujos pés toda assombração se desvanece; pois Ele é Senhor de todo principado, potestade e poder,

Caio

Escrito em 26 de setembro de 2006