Depois de ter um “piloto”(episódio experimental) exibido no final do ano passado, a série da rede Globo “Aline” foi relançada agora em outubro e vai contar com mais oito episódios até o final do ano.

A serie é baseada nas tiras de quadrinhos do cartunista Adão Iturrusgarai e tem como premissa acompanhar as aventuras de uma pós-adolescente doidivanas e modernosa que vive as situações mais anti-convencionais que se possa imaginar. Detalhe: a tal “Aline” tem dois namorados com os quais mora junto.

A bem da verdade, a idéia não é assim tão original e a própria Globo já exibiu na década de 80 o seriado “Armação Ilimitada” que também contava com uma mal resolvida relação à três, entre Juba , Lula e Zelda Scott. Se bem que neste caso era tudo feito de forma extremamente sutil e camuflada, dando mais ênfase às aventuras de ação do citado trio do que ao triângulo amoroso (e não esqueçamos do “Bacana” que era de longe o melhor personagem da série).

Mas agora, a rede Globo adaptou os quadrinhos de Iturrusgarai direcionado para um publico mais jovem-adulto, e não fez questão de ocultar ou disfarçar nenhum detalhe. A relação à três é feita de forma escancarada e as implicações de cunho sexual correm soltas.

A personagem principal, Aline, mora junto com seus dois namorados, também pós-adolescentes desocupados e sem grandes perspectivas, em uma bigamia informal que a série insiste em retratar como normal e aceitável.

E esse é justamente o que há de mais questionável na proposta do seriado. Têm-se sempre a impressão de que as decisões e posturas do tresloucado trio de personagens são sempre justificáveis e corretas. Ao contrário dos quadrinhos, onde Aline e suas desventuras são apresentadas de forma caricata, beirando o ridículo e privilegiando o humor abstrato, o seriado da Globo tem um formato mais próximo da comédia de situações, é mais verossímil e com aquele mesmo jeitão sonso de “Malhação”, que tenta mostrar que “tudo pode, tudo é permitido”. A Globo aliás, sutilmente faz isso com a maioria de seus programas do núcleo de teledramaturgia; vai incutindo mensagens tendenciosas nos diálogos e nas tramas, seja para divulgar a doutrina espírita, promover o homossexualismo, fazer media com a igreja católica, justificar o adultério ou ridicularizar os evangélicos. Agora decidiu que bigamia é o maior barato e todos deveriam experimentar.

No site da Globo, na pagina de “Aline”, existe um fórum sobre as temáticas envolvidas na serie , e eu fiquei chocado ao ver as respostas dos fãs, em especial das adolescentes que acompanham o programa. Diante da pergunta “Que tal ter dois Namorados?”, muitas responderam que já vem experimentando esse tipo de relação há muito tempo, algumas inclusive com a introdução de uma pessoa do mesmo sexo na mistura; outras dizem que “adoram” a série e que acham “o máximo” tudo o que a Aline faz e outras ainda se mostram interessados em se iniciar nesse tipo de relação. Diante disso, não me venham com essa estória de que “Aline” é apenas humor inconsequente e que não exerce influência sob seu público.

Pra completar, a serie Global ainda conta em sua trama com a participação de um casal homossexual assumido, e já correm rumores de que os produtores estão programando um beijo gay nos próximos episódios.

Não sei o que vocês acham, mas na minha casa esse programinha não entra.

Um abraço,

Leon Neto