As cerimônias de abertura e encerramento da olimpíada de Pequim foram sem dúvida dos eventos mais belos que a humanidade já pôde testemunhar. Sempre assisto às abertura e já vi festas belíssimas, como a sincronia e disciplina das placas vivas de Moscou, a exuberância cultural de Seul e a luxuriante arte moderna de Barcelona, mas nada que se comparasse ao que vimos em Pequim.

E por trás de toda a superprodução, um cineasta chinês, Zhang Yimou, famoso pelos filmes de kung-fu “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras” . Nada que seja assim tão surpreendente, já que o cinema moderno engloba praticamente todas as outras artes e em doses cavalares. O mesmo já foi dito sobre a ópera, no passado, mas eu vejo o cinema como ainda mais completo ( e certamente bem menos chato…).

Zhang Yimou conseguiu integrar tecnologia e tradição de uma maneira extraordinária. Utilizou a rica e milenar cultura chinesa na proporção exata e nos brindou com imagens belíssimas e mais importante, cheias de emoção. Não deixou de ser um pouco irônico, o governo chinês ter colocado tamanha responsabilidade nas mãos de um cineasta, já que o cinema tem sido das mais poderosas ferramentas para a denúncia de injustiças e atrocidades e violações aos direitos humanos, e é um dos grandes bastiões da liberdade de expressão no mundo. Certamente, a marcação em cima dele deve ter sido das mais ferrenhas, para que nada que comprometesse o atual governo fosse exibido. Inclusive, no quadro da abertura onde a historia da China foi apresentada, a revolução cultural, responsável pela morte de milhões, não foi sequer mencionada.

Se o Rio conseguir receber a nomeação para as olimpíadas de 2016, bem que poderíamos ter o Walter Salles ou o Fernando Meirelles comandando a festa de abertura, não é? Mas acho que se for o caso, certamente o COB vai chamar um desses carnavalescos e rechear o estádio com mulatas rebolando e coisas do gênero.

Não vou comentar sobre os resultados esportivos, porque afinal de contas, já estou fugindo demais da proposta da coluna, mas não posso deixar da falar um pouco sobre a cobertura da rede Globo.

Não é de hoje que a Globo faz todos nós, telespectadores, de idiotas. Mas nessas olimpíadas, passaram dos limites. Eu não sei se os repórteres são mesmo medíocres ou se a culpa é da linha editorial, mas nunca vi tanta pergunta idiota na minha vida. Pagar hotel, salário e credencial para alguém perguntar se a pessoa estava feliz por ganhar uma medalha de ouro, é demais! Além disso, só davam informações supérfluas e inúteis. Eu não quero saber o nome do bichinho de pelúcia da Maureen Maggi ou a cor da cueca do Bernadinho! Quero informações relevantes e ligadas ao esporte, quero comentários de especialistas, debates! E o que falar das infames “crônicas do Bial”? parecem redação de aluno da quarta série. Aliás, a equipe do Globo esporte também não se emenda. O programa está ficando tão infantilizado, que parece que a qualquer momento o Bôzo vai aparecer pra ensinar uma musiquinha nova para a criançada. Enfim, infeliz de quem não tem TV a cabo…

A grande festa do Esporte deveria também ser a celebração da paz e harmonia e da igualdade social. Mas, não foi o caso na China. Direitos Humanos continuarão a ser violados e Cristãos a serem perseguidos naquele país. E as 50 medalhas de ouro não vão fazer a menor diferença para aquele povo sofrido e carente do evangelho.

Um abraço,

Leon Neto