Talvez seja difícil pensar em duas coisas mais integradas do que música e cinema; imagine só por um instante aquela cena inicial de “Tubarão” (1975) sem as duas notinhas cromáticas, motivo básico da brilhante trilha sonora de John Williams; ou então Indiana Jones saindo em desabalada carreira sem sua música-tema ao fundo; ou mesmo uma das cenas melosas de “Love Story” (1970) sem os igualmente melosos acordes de “Where do I Begin” . pois é; não dá.

A trilha sonora e as canções de um filme são tão importantes, porque ajudam a carregar a trama e as emoções de cada cena em que se fazem presente. Alias, muitas vezes são bem mais expressivas do que os próprios atores e diretores. Daí a razão porque em Hollywood, a profissão de compositor de trilhas sonoras seja regiamente remunerada e muitos compositores de grande estatura fizeram praticamente toda a sua carreira nas telas de cinema.

Mesmo nos tempos do cinema mudo, a música se fazia presente através de pianistas contratados para destilar improvisos ao longo do filme e emoldurar as cenas com uma dose a mais de emoção. Depois disso alguns diretores deram um passo a frente e passaram a contratar músicos para elaborar um fundo musical especifico para cada cena. O gênio Charles Chaplin, inclusive, escreveu, ele próprio, algumas das trilhas e canções de seus filmes, sendo a mais famosa das suas canções, “Smile” do filme “Tempos Modernos” (1954). Mas a integração entre música e drama vem muito antes disso; se pensarmos no teatro grego e na opera, vamos perceber que a idéia não era muito diferente dos filmes de hoje: música para carregar a trama e acrescentar emoção. A opera, que hoje é vista mais como arte, na verdade, surgiu muito mais como entretenimento do que qualquer outra coisa; era o cinema da sua era. E como foi dito por muito tempo que a opera seria a arte suprema, pois engloba todas as outras formas de arte, o que dizer então do cinema de hoje ? Aliás, se Mozart fosse vivo, muito provavelmente estaria escrevendo trilhas para filmes, já que ele gostava de um dinheirinho e nunca teve lá muitos escrúpulos para vender sua arte.

Por outro lado, se a música é vital para o cinema, a industria cinematográfica forneceu, e vem fornecendo, vasto e fértil campo de trabalho para centenas de compositores e músicos de primeira grandeza. Vamos aqui lembrar de alguns: John Williams, Maurice Jarre, Ennio Morricone, Michel Legrand, Eric Sierra, Henry Mancini, Burt Bacharach, e Leonard Bernstein entre outros, são músicos que talvez não tivessem tanto reconhecimento público não fossem trilhas sonoras que escreveram. Até mesmo nosso brasileiríssimo Villa-Lobos andou dando as suas enveredadas por Hollywood (“Green Mansions”). A trilha sonora está para o compositor erudito assim como as canções estão para o compositor pop; e nesse sentido, na música popular ou comercial, se preferir, muitos cantores e compositores tiveram a carreira bastante impulsionada por terem suas canções utilizadas em filmes. Basta lembrar de Lionel Ritchie (“Amor sem Fim”), Michael Jackson (“Ben”), Barbra Streisand (“O Nosso Amor de Ontem”), B.J. Thomas (“Buthc Cassidy e Sundance Kid”), Dave Grusin (“Tootsie”), Bee Gees (“Os Embalos de Sábado a Noite”) e muitos outros.

A idéia de uma coluna que aborde música e cinema , portanto, me parece bastante plausível, entre outras coisas, porque quem gosta de cinema obrigatoriamente deve gostar de música também; assim, falar para um publico e para o outro não deve ser assim tão complicado. Estaremos abordando assuntos dos mais variados ligados aos dois campos e suas sugestões e criticas serão sempre muito bem-vindas. Em relação a música, daremos uma ênfase maior a musica Cristã, mas sem estar fechado a nenhum outro estilo ou gênero. E no tocante ao cinema, bem, aí vale de tudo; nacional, internacional, passado, presente e futuro. Iremos para onde nos levar nossa imaginacao. E sempre com uma boa trilha sonora ao fundo…

Leon Neto