Mesmo depois de mais de uma semana da abertura das olimpíadas de Londres, ainda estou impactado pela brilhante abertura. Pode não ter sido tão colorida ou culturalmente exuberante como a de Pequim em 2008, mas sem duvida impressionou pela criatividade e originalidade.

Danny Boyle, cineasta de pai inglês e mãe irlandesa, foi o idealizador responsável pela cerimônia. Ótima sacada dos organizadores dos jogos, já que o binômio cinema-esportes sempre deu muito certo e já rendeu inúmeras perolas cinematográficas, como “Carruagens de Fogo” (1981) por exemplo. Nada mais apropriado, então do que combinar os dois gêneros na festa de abertura.

Boyle é um dos meus diretores favoritos, embora carregue consigo sempre uma pecha de excêntrico e fora do convencional. Ganhou mais notoriedade mundial depois de “Quem Quer Ser um Milionário” que arrebanhou os principais prêmios da Academia em 2008, mas bem antes disso já havia conquistado elogios da critica especializada com filmes como “Cova Rasa”(1994), “Transpointing” (1996), “Extermínio”(2002), o ótimo filme de ficção “Sunshine”(2007) e mais recentemente “127 Horas” (2010).

Seu conceito para abertura das olimpíadas de Londres foi original e inovador. Ao invés de centrar a temática no folclore local, opção mais do que batida nas cerimônias anteriores, o diretor resolveu explorar a vida urbana e o desenvolvimento da sociedade britânica através dos tempos. Foi uma tirada genial, que nos brindou com cenas inesquecíveis.

Ao invés de investir no colorido usual das tradições folclóricas, Boyle fez do cinza sua principal nuance, numa alusão ao constantemente nublado céu Londrino e também ao concreto das cidades, fabricas e minas de carvão que tanto ajudaram à desenvolver a Grã-Bretanha como potência mundial durante a revolução industrial. Com uma musica moderna e instigante, Boyle alternou tensão e magia com bastante equilíbrio.

Foi muito interessante ver em uma das cenas, como os ingleses tem orgulho do seu sistema publico de saúde; nada parecido com o que temos no Brasil. E não teve como não se emocionar com centenas de Mary Poppins voando pelo estádio olímpico, numa referência à literatura infantil local, outro motivo de orgulho para os Britânicos.

Mas na hora da competição pra valer, não existe roteiro de filme. Esporte de alta performance é divertido para quem assiste, mas pode ser dramático e frustrante para quem compete. Imagino o quão duro deve ser para os milhares de atletas anônimos que investiram tanto tempo de suas vidas para esse evento e que vão sair de mãos abanando. Pior ainda são aqueles que tinham chances mas acabaram por um motivo ou outro decepcionando. O Brasil, alias, é mestre em amarelar na hora do “vamos ver”.
Além disso, o tipo de esporte que de fato é saudável, é o de atividade moderada e não o competitivo.

Atleta de alto rendimento , se prestarmos bem atenção, está sempre com dores, tratando contusões, e normalmente tem um final de carreira e aposentadoria cheios de problemas físicos. O esporte enquanto educação, como atividade física moderada e constante é o que o governo deveria estar estimulando; é isso, que pode melhorar o padrão de vida do brasileiro e que deveria ser prioridade para o governo e não essa industria de produção de ídolos que aí está, que só gera traumas e decepções. Acho até mesmo, que apesar da belíssima abertura produzida por Danny Boyle este ano, os jogos olímpicos já perderam parte de sua magia, se plastificaram e viraram mais uma maquina de fazer dinheiro, para poucos, diga-se de passagem.

Além do mais, não existe nada mais pagão do que os jogos olímpicos, que surgiram na Grécia antiga para homenagear os deuses do Olimpo. Eu não entendo por que esse monte de gente que sai por aí falando mal de arvore de natal, Halloween, instrumentos musicais e coisas do gênero não propõe também um boicote aos jogos olímpicos. Mais uma prova de que tudo isso é uma grande bobagem.

Um abraço,

Leon Neto