Quando se é criança no Brasil, Páscoa tem muito pouco à ver com semana santa; o que se quer mesmo é devorar os deliciosos ovos de chocolate e aproveitar o feriado para jogar bola com os amigos. Para muitos adultos a Páscoa continua basicamente do mesmo jeito, apenas mais um dos milhares de feriados que temos no Brasil.

Nada tenho contra os ovos de chocolate ou os coelhinhos da páscoa, não dou muita bola para esses fundamentalistas que vêem pecado em tudo e já escreveram até livros sobre o paganismo por trás dos símbolos da páscoa. Quem me dera estar no Brasil para poder comprar uma dúzia daqueles ovos gigantes sabor sonho de valsa.

Porém, é importante colocarmos os pingos nos “í”s e separarmos as coisas. Para o povo Cristão, nenhuma festividade é mais importante do que a Páscoa; nem o Natal. Explico. No natal celebramos a materialização do amor de Deus através do nascimento de Jesus, o verbo encarnado. Mas na Páscoa, a consumação do plano de salvação com a crucificação de Cristo, expiando nossos pecados. Sem a cruz, de nada valeria a manjedoura.

E mais do que a cruz, o símbolo supremo da Páscoa para nós cristãos é o túmulo vazio, a vitória sobre a morte! Nada é mais importante do que isso! a meu ver, a semana santa deveria ser ainda mais celebrada do que o Natal, que cada vez mais está se secularizando e virando comércio. Precisamos lutar para que a mesma secularização não aconteça na páscoa e que os valores sejam devidamente preservados.

Aproveito então para mandar duas sugestões de filmes sobre o tema que podem ser uma boa dica para assistir com a família enquanto degustamos os deliciosos ovos de chocolate.

A Paixão de Cristo

Se você esteve em outro planeta nos últimos 5 anos e ainda não assistiu à esse filme, não deixe passar mais uma semana santa sem dar uma visitada nesse clássico. O filme de Mel Gibson causou muita polêmica e sofreu acusações de anti-semitismo, mas sem dúvida é um dos melhores já feitos sobre esse tema. Totalmente falado em aramaico, o filme narra as ultimas horas de vida de Jesus, do jardim do Getsemani até a cruz. As cenas são de uma crueza impressionante, mas os detalhes cheios de preciosismo e arte. Mesmo que você já tenha visto, vale a pena uma revisitada, agora que a poeira baixou e a polêmica se esvaiu. Mesmo sem o viés doutrinário, pois não acho que Mel Gibson tenha tido intenções evangelisticas com esse filme, podemos ver uma boa qualidade técnica e atuações muito convincentes.

Ben Hur

Um dos filmes mais premiados da história do cinema, continua empolgante e majestoso, mesmo completando já 50 anos de idade. Mesmo sendo uma obra de ficção, aborda de a crucificação de forma singela e lírica. As cenas das batalhas navais e da corrida de quadrigas estão entre as mais espetaculares de todos os tempos e vem de uma época onde não se tinha computação gráfica. Charlton Heston no melhor de sua forma e um roteiro extraordinário fazem desse um clássico imperdível.

Um abraço,

Leon Neto