A convite da organização missionária Bible Mission, estou tendo a oportunidade de conhecer um lado da Alemanha que pouco aparece nos noticiários.

A Bible Mission atua junto a comunidades advindas das ex-repúblicas soviéticas em solo alemão. Após o colapso da União Soviética, milhares de famílias de origem alemã que haviam ficado presas e sem permissão de abandonar o território russo, voltaram para a Alemanha após mais de 40 anos de isolamento. Essas famílias, vindas principalmente do Cazaquistão, Bielo-Rússia e Ucrânia, se estabeleceram em cidades da região central e norte da Alemanha e assim, diversas comunidades e Igrejas russo-alemãs se desenvolveram neste pais.

As Igrejas tentam de alguma forma manter vivas algumas das tradições e inicialmente até mesmo os cultos eram celebrados em russo. Em sua maioria Menonitas, essas Igrejas de doutrina e litúrgica bastante tradicionais e que sofreram muita perseguição religiosa em seus países de origem, cresceram bastante e terminaram por formar uma comunidade distinta dentro do meio evangélico alemão. Hoje em dia, após vinte anos, as igrejas já estão transicionando para um estilo mais moderno e mais ligado a cultura local, mas algumas ainda permanecem bem fiéis a suas origens.

Tem sido bastante interessante entrar em contato, não somente com a cultura alemã, mas também com um pouco da cultura dessas ex-repúblicas soviéticas. Tenho ouvido muitos relatos sobre as dificuldades vividas na época do comunismo, em especial sobre a repressão e falta de liberdade religiosa. É chocante saber como famílias ficaram separadas por mais de quarenta anos, sem o direito de sequer visitar parentes no leito de morte.

A reação das pessoas tem sido surpreendentemente positiva, mesmo quando tocamos arranjos em bossa nova e até mesmo baião, com o grupo de violões da Liberty University, e ao contrario do que possa parecer, temos sido recebidos com muito carinho e alegria nessas comunidades. Para ser sincero eu esperava bem mais “caras feias” e reações negativas. Algo que tem me chamado a atenção é o grande número de jovens, segunda geração dos imigrantes russos, que temos encontrado. Quase todos falam inglês com fluência e são bastante interessados em música contemporânea. Michael W. Smith e Steven Curtis Chapman são os nomes mais conhecidos por aqui, e até mesmo canções cristãs em inglês são utilizadas com frequência nas reuniões dos jovens. Embora os cultos continuem bastante tradicionais, esse contato com jovens talentosos e motivados, leva a crer que uma transição para um estilo mais contemporâneo está para acontecer em alguns anos.

De todas as coisas boas que temos vivenciado por aqui, certamente a mais especial tem sido a chance de conhecer mais a fundo o ministério da Bible Mission, que envolve projetos em 15 ex-repúblicas soviéticas , como Cazaquistão, Uzbequistão, Ucrânia, Moldovia, Bielo-Russia, entre outros. Bible Mission atua através de ajuda humanitária nesses paises além de evangelização. Em muitos desses países ainda há muita miséria, e organizações como Bible Mission têm sido fundamentais em levar alívio e ajuda para milhões de pessoas. Nós todos ficamos particularmente tocados com os relatos sobre os projetos ligados a um orfanato na Ucrânia, para crianças deficientes, onde crianças são despejadas como se fossem lixo e ficam como que a espera da morte. Apenas os missionários da Bible Mission tem levado algum consolo e calor humano para essas crianças. Espero que ao final dessa jornada, possamos ter ajudado a Bible Mission a conseguir mais recursos para levar seus maravilhosos projetos adiante. Se você quiser saber mais sobre Bible Mission, pode acessar www.biblemission.org.

Um abraço,

Leon Neto