Recentemente o mundo comemorou o dia internacional da mulher e aproveitou a ocasião para reforçar a luta contra a violência doméstica onde a mulher é, na maior parte dos casos, a maior vítima. Nada mais justo e necessário. Ainda mais em um país como o Brasil, onde ainda existem ranços machistas e onde ainda se acha que o homem tem todo o direito de “colocar a mulher na linha”, e que a cultura do “mulher gosta de apanhar” ainda impera.

Lembro-me claramente de casos esdrúxulos de absolvição, como o de Doca Street, por exemplo, que na década de 70 foi considerado inocente do assassinato de Angela Diniz, a partir do inacreditável princípio da “legitima defesa da honra”; certamente dos casos jurídicos mais vergonhosos da historia do nosso país. Os números estão aí para provar que apesar de inegáveis avanços nessa área, a violência contra a mulher ainda é um problema seríssimo e constante no Brasil, especialmente nas populações de baixa renda em bairros de periferia e favelas.

E quando se ouve falar em coisas desse tipo em países de primeiro mundo, onde supostamente os direitos humanos são mais respeitados, fica-se ainda mais chocado por notarmos que miséria e injustiça social nem sempre estão ligadas aos episódios de violência doméstica.

Foi o que aconteceu recentemente nos Estados Unidos, onde dois casais de artistas do show business se envolveram em processos de agressão física. O primeiro caso envolveu dois cantores no auge do sucesso, ricos e de boa aparência, ironicamente quando ambos se deslocavam para participar da prestigiada festa de entrega do Grammy. Rihanna e Chris Brown, ambos bem jovens, ela tem 21 e ele apenas 19 anos, já namoravam há um bom tempo e haviam se tornado dos casais mais badalados do R&B. Podiam ser vistos e fotografados juntos em festas, shows e eventos da mídia e se tornaram casal modelo para milhões e milhões de fãs no mundo inteiro.

O que consta na imprensa especializada, é que Chris recebeu uma mensagem no seu celular, supostamente de um caso antigo e Rihanna, que não gostou nem um pouco, começou uma discussão na limusine que os levava para o Grammy. A coisa foi tomando proporções incontroláveis e acabou na delegacia, com a cantora coberta de hematomas e pasmem, marcas de mordida! Bater em mulher já é um absurdo, mas dar mordida é coisa literalmente de animal irracional! Os dois tiveram que cancelar a participação no evento e o caso se tornou assunto numero 1 no dia seguinte em telejornais e programas de auditório.

O segundo caso recente de violência doméstica, aconteceu com o cantor gospel americano Bebe Winans, famoso por fazer uma dupla com sua irmã Cece, vencedora de inúmeros Grammies e Dove awards. O cantor também atua como jurado em um programa gospel de calouros do canal à cabo BET.

Pois é; Bebe Wynans, que é separado do primeiro casamento estava indo buscar a filha quando começou uma discussão com a ex-esposa que acabou evoluindo para uma altercação física. Resultado, o cantor foi preso em flagrante e levado para a delegacia na mesma hora. Foi bastante constrangedor ver sua foto da ficha policial, em uma das chamadas “mug shots”, sendo divulgada mundo a fora.

Apesar de semelhantes, os dois casos têm diferenças fundamentais. A primeira o fato de que Chris Brown e Rihanna não passam de dois adolescentes enquanto Bebe Winans já é um senhor de 47 anos. Claro que esse aspecto não justifica de forma nenhuma a agressão covarde de Chris em Rihanna, mas certamente espera-se que pessoas maduras tenham mais controle emocional do que jovens mal saídos do ensino fundamental. A segunda e mais importante, o fato de que Bebe Wynans é um cantor gospel e que deveria ser exemplo para seus fãs e público em geral.

O ocorrido com Bebe Wynans não ajuda muito a já abalada imagem do meio artístico gospel, que é visto como qualquer outro gênero onde em muitos casos, o fator entretenimento é até preponderante em relação à edificação, louvor e evangelismo.

Não podemos afirmar se ele é culpado ou não, mas só o fato de estar envolvido em um caso desses já é vergonha suficiente para o evangelho. Precisamos fazer diferença no meio em que vivemos, não só pelo talento ou capacidade profissional, mas principalmente por propagarmos os princípios e valores Cristãos em tudo o que fizermos. Vale muito pouco a carreira de alguém que tem muitos prêmios, fama e dinheiro, mas no seu dia-a-dia não demonstra coerência com suas crenças.

Rihanna, mesmo depois da surra que levou, resolveu voltar para seu namorado e os dois até pensam em lançar um álbum juntos. Infelizmente parece que Rihana vai voltar aos boletins policiais muito em breve…

Quanto à Bebe Winans, só nos resta orar para que haja arrependimento genuíno e reparação de danos nas relações familiares.

E aos demais artistas Cristãos, aqui ou no Brasil, que tenham sempre em mente que nada nesse mundo deve colocar em risco nosso valores doutrinários e a responsabilidade de cuidar da família em primeiro lugar. Nada deveria ser mais importante. Nem fama, nem dinheiro, nem carreira.

Um abraço,

Leon