Se você estava pensando, ao ler o titulo dessa coluna, que eu estaria aqui falando sobre os vencedores da festa do quadragésimo primeiro Dove Awards, então vai se decepcionar. Na verdade nem assisti à entrega dos prêmios e tampouco vou aqui comentar sobre os ganhadores da noite.

O Dove Awards é promovido pela GMA (Gospel Music Association), que não é muito diferente das outras associações que promovem música secular nos Estados Unidos. Se você entrar no site deles, vai ver que a tônica é a promoção da música gospel enquanto produto. A GMA não tem nada de ministerial ou confessional; o que importa mesmo são números, vendas e patrocinadores.

A música gospel norte-Americana, não está muito distante da música secular em termos de mercado e relevância. Só nos Estados Unidos, gerou mais de meio bilhão de dólares ano passado e cresceu para 7.2% de todas as vendas de Cd’s em 2009, mesmo em um ano de crise financeira, quando outros gêneros músicas tiveram decréscimo em suas vendas anuais.

Claro que os empresários e produtores não iriam deixar de dar sua garfada nesse terreno promissor. E é aí que mora o perigo; a indústria gospel americana enveredou por um caminho muito questionável, onde pouca ou quase nenhuma diferença tem do mercado secular. Os mega-astros da música gospel americana gozam de quase o mesmo status de estrela que os cantores seculares e fazem quase tanto dinheiro quanto eles. E a exemplo do Oscar e do Grammy, o Dove Awards premia a indústria e os que geraram lucros para os investidores e não a qualidade propriamente dita.

E mesmo que o Dove premiasse de fato os melhores do ano, ainda assim seria questionável. Se o nosso objetivo enquanto músicos cristãos é a propagação do evangelho, então nossos investimentos e energias deveriam estar voltados para isso, e não para uma festa mundana que premia uma indústria cada vez mais inescrupulosa e estimula a competição entre irmãos. Não vejo com bons olhos nem o Dove,nem o troféu Talento e outras coisas do gênero. Alias, as versões tupiniquins dos tais prêmios são piores ainda. Aqui nos Estados Unidos, onde existe uma cultura de competição que começa no berço, ainda se consegue entender a existência, embora questionável de tais prêmios; mas, no Brasil, essa mania de querer imitar tudo o que acontece por aqui, deixa essas coisas ainda mais ridículas e fora de prumo.

Gostaria mesmo era de ver os músicos cristãos brasileiros se reunindo para debater estratégias de evangelização e discutir temas e mensagens que o povo brasileiro precisa ouvir, ao invés de se juntar nessas premiações que só nos fazem desviar ainda mais do caminho que Jesus propôs que é sempre contrário às tendências do mundo, que só quer saber de lucros e de tirar vantagem de tudo.

Por isso, não faço a menor questão de saber quem ganhou o Dove Awards ontem à noite.

Um abraço,

Leon Neto