Todo ano, passada a festa do Oscar, sempre sobram uns filmes que por um motivo ou outro não fazem muito sucesso junto ao publico, mas que quando são lançados em DVD terminam virando “cult movies”. Eu, particularmente fico sempre de olho nesse tipo de filme, porque na maioria das vezes são bem melhores até do que os grandes vencedores de prêmios.

O filme “Duvida” com Meryll Streep e Phillip Seymour Hoffman, certamente é um desses, e não foge à regra, sendo na minha opinião, um dos melhores do ano. Só o elenco já seria suficiente para justificar o aluguel do DVD. Meryl Streep a recordista absoluta de indicações ao Oscar, dispensa apresentações e em geral sempre escolhe bons filmes (Bem, o péssimo “Mama Mia”com certeza é uma exceção à regra… ); e Phillip Seymour Hoffman já conquistou respeito de publico e crítica suficiente para também funcionar como selo de qualidade em qualquer produção em que esteja envolvido.

Mas “Dúvida”vai além das interpretações brilhantes do elenco e nos brinda com um roteiro inteligente e perturbador, coisa rara no cinema Americano. Como é bom não ser tratado como idiota, só pra variar um pouquinho…

A trama se passa em 1964, no bairro novaiorquino do Bronx, mais especificamente em uma conceituada escola católica. Meryl Streep encarna uma freira que é a diretora carrasca e intolerante, pesadelo de todos os meninos da escola. Hoffman é o padre “gente boa” que faz o contraponto com a megera da diretora e está sempre pronto para estender uma mão amiga para os alunos. Contudo, certo dia surge uma denúncia de pedofilia contra o padre bonachão e a diretora passa a empreender uma verdadeira cruzada investigativa para descobrir se o padre é mesmo culpado.

O filme ,ao contrário da maioria dos outros de seu gênero, não apresenta personagens de forma caricata e maniqueísta e em momento algum descamba para o suspense psicológico barato. Todos os personagens são desenvolvidos com profundidade e interpretados com sutileza e brilhantismo. Particularmente notável está a jovem atriz Amy Adams, mais conhecida por seu papel em “Junebug”que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Mais uma vez, Amy está excelente, emprestando veracidade e profundidade ao seu personagem, especialmente nos diálogos com Streep e Hoffman. Amy não fica nada à desejar diante de dois gigantes do cinema; que potencial tem essa atriz que não passa de uma “franguinha”!

O filme se desenvolve através dos diálogos e mesmo sem ter nenhuma cena de ação ou revelação fantástica, prende a atenção até o final. O veredito fica por conta do expectador que vai ter que analisar todas as informações para tirar suas próprias conclusões. O diálogo mais impressionante de todos, se dá entre Meryl Streep e Viola Davis, que interpreta a mãe do aluno envolvido no suposto abuso; Viola, participa de apenas uma cena, mas adiciona tanta dramaticidade ao filme que foi indicada ao Oscar de Atriz coadjuvante mesmo assim.

Mais que isso, o filme nos faz refletir sobre um tema seríssimo, a pedofilia, que foi negligenciado pelo vaticano por muitos anos e até mesmo “Varrido pra debaixo do tapete”, ao invés de combatido e tratado com a devida importância. Nós evangélicos precisamos ficar de olhos abertos para que nunca algo assim venha a acontecer em nossas igrejas e escolas. Mas se acontecer, que seja tratado com transparência e seriedade, cortando o mal pela raiz sem medo de reações populares ou escândalos.

Um abraço,

Leon Neto