“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente”.

Jesus, João 11.

O discípulo do Senhor da Ressurreição é um bendito encurralado.

Se estando vivo no corpo, por alguma razão morrer, continuará vivo, mas vivo do nunca; pois, a fé em Jesus já faz a pessoa ser da vida mesmo que morra; posto que aquele que crê não morre nunca mais.

Se, todavia, vive e crê, e se crê com a devida profundidade, e se exercitasse no âmbito da eternidade pelo gozo da fé que antecipa o que ainda não é, mas que já aconteceu na pessoa como certeza em fé — então, a morte deixa de existir, e, mesmo que tal pessoa morra, tal morte é sono; e nada além da leveza de um sono; pois, o dormido nem se deu conta do morrer; afinal, pela ressurreição na qual creu, já havia existencialmente passado da morte para a vida como experiência antecipada da glória que visita a quem crê não na Revitalização, mas na Ressurreição como o estado existencial da fé.

Mas a Palavra de Jesus acima citada [dita por Ele diante do tumulo de Lázaro], para a maioria dos cristãos serve apenas para ser mencionada em funeral, ou para ser usada em ênfase de pregação [e o povo diz “Aleluia”, mesmo sem entender — afinal, é uma frase poderosa]; ou ainda para provar o poder de Jesus para os “incrédulos” pela via de uma verdade que na boca errada não significa nada além de ufania religiosa.

Lázaro estava vivo e morreu. Então, porque cria em Jesus, viveu outra vez porque Jesus o chamou de volta à vida neste plano. Isto ante os olhos dos que o haviam visto morto por quatro dias.

Lázaro ilustra a primeira parte da Palavra de Jesus: “Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá”.

O objetivo de Jesus, entretanto, era falar os existentes que estavam diante Dele; e que ainda não criam; a fim de que em crendo — já não vissem a morte como um morrer, mas apenas como a introdução na vida que não morre eternamente, pois, é vida eterna.

Assim, o Lazaro que morreu viveu outra vez apenas para que os lázaros vivos fiquem livres [pelo que viram no Lázaro morto e revivido] de toda má impressão sobre a morte; posto que o Lázaro morto, só soube que morreu porque viveu outra vez entre os homens existentes; pois, se não tivesse sido trazido em estado de esquecimento de volta da morte, jamais saberia que teria morrido; visto que como cria em Jesus [por isto], jamais saberia de sua própria morte física, em razão de ter entrado na Vida sem trauma, sem juízo e sem “passagem”. Portanto, Lázaro só soube que morrera em razão de que revivera; e só reviveu para que os existentes creiam e, assim, não morram eternamente.

Lazaro foi aquele creu e mesmo morrendo viveu. Nós somos aqueles que, crendo, e vivendo na fé, jamais saberemos nada sobre a morte, pois, pela fé passamos para além dela sem nem mesmo sentirmos.

Nele, em Quem a existência vai da vida à Ressurreição e da Ressurreição à Vida,

Caio