Todos os anos no domingo que antecede o dia do trabalho, a comunidade brasileira de Nova Iorque promove uma mega-festa chamada “Brazilian Day”.

O evento que já acontece há vite e quatro anos se tornou parte do calendário da cidade e virou tradição para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos e Canadá.

Bem ao estilo das “micaretas” e bailes carnavalescos (sem trio elétrico, vale salientar), a festa é movida à shows de bandas e cantores brasileiros, presença de celebridades e muita, muita bebida.

Motivo de orgulho para alguns e certamente de euforia para a organização, o evento desse ano reuniu, segundo fontes jornalísticas, mais de um milhão de pessoas, saracoteando por vinte e cinco quarteirões do centro de Nova Iorque ao som de Lulu Santos, Jorge Benjor e Banda Eva entre outros.

Como em qualquer outro evento do gênero, a televisão e os jornais só mostram o lado bom da festa, com todo mundo elogiando a organização e falando do orgulho de ser brasileiro, e de como nós somos mais animados e calorosos do que qualquer outro povo do mundo.

O que ninguém mostra é o vazio que fica quando a festa acaba, os embriagados caindo pelo chão e gente se drogando. Ninguém lembra nessa hora em como é difícil e em muitos casos desesperadora a situação dos brasileiros ilegais. Pais separados de suas famílias sem poder sequer visitar seus entes queridos, gente com diploma universitário fazendo trabalho braçal, se sujeitando à jornadas de trabalho absurdas, são aspectos deixados de lado no calor da folia e todos se esquecem das dificuldades por algumas horas.

Pois é; mas quando a farra termina, produtores e artistas voltam para suas casas com os bolsos cheios, e o restante da sofrida população de imigrantes brasileiros tem que se defrontar novamente com sua realidade.

Pensando nisso, meu amigo Carlinhos Veiga, resolveu aceitar um convite feito por algumas Igrejas Brasileiras nos estados Unidos para vir evangelizar no Brazilian Day. Carlinhos é dos melhores músicos cristãos que conheço e faz um trabalho fenomenal de resgate da cultura do centro-oeste em suas musicas de mensagens incisivas e profundas, emolduradas em ritmos regionais e arranjos primorosos. Veículo perfeito para alcançar os milhares de brasileiros saudosos de seu país e sedentos do evangelho.

Ainda não tive notícias sobre o resultado da viagem, mas achei a iniciativa extremamente louvável. No Brasil têm-se a impressão de que todo mundo que vem para os Estados Unidos está nadando em dinheiro e se dando super bem na vida. Mas, essa é a realidade de poucos. As igrejas brasileiras tem um papel importante na evangelização desse contingente que segundo fontes extra-oficiais pode chegar a quase um milhão de pessoas, mas muitas vezes carecem de recursos humanos e materiais. E infelizmente, nem todos os artistas evangélicos que aparecem por aqui estão de fato interessados em arregaçar as mangas e partir para a evangelização. Alguns só pensam em vender Cd’s e se auto-promover.

Certamente não é esse o caso de Carlinhos Veiga. artista de primeira grandeza e evangelista apaixonado, deixou o conforto de suas atividades em Brasília para dedicar tempo ao levantando de recursos para a viagem missionária, reunir sua banda e partir para um outro país, e ajudar a levar a mensagem da verdadeira alegria, a alegria sem fim, a alegria sem ressaca, a alegria transformadora do evangelho para a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Um abraço,

Leon Neto