Lançado sem grande alarde nos cinemas do mundo todo, o filme “Minhas Mães e Meu Pai” vem arrancando ótimos comentários desde sua estreia no festival de Sundance, em janeiro deste ano.

A trama envolve uma família formada por um casal de lésbicas e dois filhos gerados através de um doador de esperma anônimo.

Os filhos, um rapaz e uma moça, gerados um por cada mãe, mas através de um mesmo doador, vivem em certa harmonia dentro desse contexto pouco usual, até que na adolescência decidem descobrir que é o pai biológico. E é aí que começam os problemas.

O tal “doador” é um hippie meio cabeça-de-vento que não está nem aí para nada até que vai aos poucos se envolvendo com essa família esdrúxula e termina por estremecer as relações interpessoais, aparentemente estáveis.

O elenco é de primeira linha. O casal é interpretado pelas ótimas Julianne Moore e Annette Benning e o pai “doador” pelo igualmente competente Mark Ruffalo. A diretora Lisa Cholodenko, faz um trabalho sutil e elegante, costurando com delicadeza e bom humor essa estória bastante atual.

E é aí que está o perigo. A boa qualidade do filme pode levar alguns a não se aperceber da agenda ideológica da diretora. A maioria dos críticos norte-americanos vem tecendo ótimos comentários ao filme e fazendo a mesma ressalva de que o filme deve ser interpretado não como uma trama envolvendo relacionamento homossexual, mas sim uma estória de família como qualquer outra.

Vários programas de auditório fizeram debates aqui nos EUA sobre essa questão e a maioria dos apresentadores saiu em defesa da diretora, chamando a todos de preconceituosos por não ver a profundidade da obra sem a bitola das discussões sobre casamento gay.

Mas o que nem todos sabem, é que não por coincidência, Lisa Cholodenko é lésbica, mantem um relacionamento prolongado com a cantora Wendy Melvoin e gerou um filho através de um doador de esperma anônimo. Claro que no filme, a relação homossexual das duas protagonistas é retratada com a maior naturalidade, como qualquer outra família. E essa parece mesmo ser a intenção da diretora, apresentar o casamento gay como aceitável e normal. Aliás, essa tática vem sendo usada em Hollywood desde o cinema mudo e com sucesso; os filmes vão introduzindo mensagens sutis pouco á pouco e quando menos percebemos, toda uma filosofia nova foi implantada na sociedade.

Claro que sei que um casamento heterossexual não é garantia de lar equilibrado e acredito que casais homossexuais devem genuinamente amar seus filhos profundamente, mas diante da desestruturação e achincalhamento que o modelo bíblico de família vem sofrendo na mídia por todos os lados, é importante nós cristãos levantarmos nossas vozes e deixar claro que nossa crença não comunga com essas coisas. A família apresentada no Gênesis como modelo é a de um homem e uma mulher, expressão máxima da criação de Deus. Qualquer coisa que fuja disso dever ser rejeitado por nós, ainda que isso resulte em criticas e até mesmo processos.

Não estou aqui pregando um boicote ao filme, até porque é um trabalho muito bem feito, mas devemos filtrar bem as mensagens sutilmente inseridas na trama, e cuidar para que nosso princípios cristãos não sejam flexibilizados.

Um abraço,

Leon Neto