Preconceito é cegueira na alma; é viseira no todo entendimento; é tapume sobre a percepção; é um denso véu contra a luz; é uma burka sobre o espírito; é o coveiro da verdade; é o verdugo da bondade; é o diabo no ver; é o satanás do sentir; é a sepultura de possíveis reconciliações; é o enxofre humano que faz estatuas como a mulher de Ló.

Em Cristo não há homem nem mulher; nem escravo nem liberto; nem judeu nem grego; nem bárbaro, nem celta e nem nada que signifique que alguém seja alienígena para seu próximo.

Entretanto, essa visão de Cristo é para quem está em Cristo; e é apenas para quem o estar em Cristo seja um fato da vida; pois, somente assim tal verdade do estar em Cristo se torna um fato fora do texto que a propõe; se encarnando na vida de quem diz crer.

Portanto, para que esse estar em Cristo seja verdade, não pode haver preconceito.

Se há preconceito não é entendimento da Graça!

Pode alguém confessar que de si mesmo está perdido, que de Deus recebeu perdão de graça [em razão de Cristo], e ainda assim, ser preconceituoso?

Não se engane:

Todo preconceito, nenhuma Graça; algum preconceito, alguma Graça; pouco preconceito, pouca Graça; nenhum preconceito, toda Graça.

Seria então a Graça uma barganha com as nossas virtudes relacionais?

Ah! Claro que não! Entretanto, se a Graça é seiva, o fruto tem de ser amor; e no amor não há medo; e todo preconceito é medo feito hostilidade ou indiferença. Assim, onde há Graça não pode haver preconceito, assim como onde há luz não existe trevas.

Se eu digo que apesar de meus muitos preconceitos a Graça se derrama sobre mim, estou mentindo contra a verdade; pois, a Graça se derrama sobre mim a fim de me quebrantar em meus juízos e preconceitos; mas se eu neles insisto, a Graça se recolhe de sobre mim; e me deixa viver de minha anti-graça para com meu próximo.

Juízo é viver por conta própria; sem a Graça.

Dizer: “Pai, não faze acepção a meu respeito assim como não faço acepção de pessoas” — é equivalente a orar: “Perdoa-nos os pecados, assim como nós perdoamos os nossos devedores”.

Graça e preconceito são tão antitéticos quanto amor e ódio!

Assim, pare de defender seus preconceitos e suas hostilidades, e, com honestidade, saiba: caso você não converta a sua mente do estado de preconceito ao espírito da Graça, tampouco o Pai Celeste tratará você sem acepção; pois, Aquele que manda perdoar a fim de que mantenhamos a fidelidade ao espírito do perdão recebido de Deus, implicitamente ensina que do mesmo modo quem recebe Graça não pode mais antipatizar e se mostrar preconceituoso contra ninguém.

Decida: ou Graça ou preconceito? Ambos só andarão juntos se o diabo se converter.

Pense nisso!

Caio