Estreou semana passada, aqui nos Estados Unidos, um documentário produzido pela CNN intitulado “God’s Warriors” (ou “Guerreiros de Deus”). Com mais de 6 horas de duração, a produção foi dividida em três noites seguidas, cada uma com um segmento de duas horas dedicado às três maiores religiões do planeta, judaísmo, islamismo e cristianismo.

As tais noites causaram grande impacto na mídia americana e se tornaram em um evento de grande escala ao abordar questões polêmicas e tentar chegar no âmago dos conflitos eternos nos quais as três religiões tem papel destacado.

Á frente das câmeras estava a jornalista britânica, mas de origem iraniana, Christiane Amanpour, que tentou fazer suas reportagens investigativas da forma mais isenta e imparcial possível. Foi in loco entrevistar personalidades de cada uma das religiões e até mesmo se pôs em risco ao voltar ao Irã, onde com certeza não é vista com bons olhos, para entrar em contato com líderes religiosos extremistas daquele país.

Aliás, extremismo é a palavra-chave que pode definir bem a tônica principal do documentário. A jornalista tentou mostrar que há pouca diferença entre os extremistas islâmicos que apavoram a humanidade hoje, e os extremistas judeus que atormentam a vida dos palestinos, ou os cristãos que promoveram atos terroristas em clínicas de aborto. É isso mesmo! Na década de noventa mais de uma vez, evangélicos fundamentalistas, se dizendo comandados por Deus, plantaram bombas e mandaram bala, matando gente inocente.

Fiquei pensando em o que faz a diferença entre nós e os terroristas de outras religiões. Ao longo da história muitas atrocidades foram cometidas em nome do cristianismo. Basta lembrar das cruzadas e da inquisição, ou mesmo de eventos mais recentes como o massacre das guianas, de Jim Jones. Em muitas denominações, o endeusamento dos seus líderes carismáticos é tão grande, que me causa calafrios na espinha pensar no poder que eles têm nas mãos. É importante nós, cristãos, estarmos sempre revendo nossos caminhos e posições para que nunca mais nada parecido volte a acontecer.

Extremismo, seja ele qual for, sempre é perigoso.

No segmento dedicado ao cristianismo, a equipe da CNN entrevistou o Rev. Jerry Falwell, naquela que seria a última entrevista antes de sua morte repentina. A CNN passou vários dias aqui na Liberty University onde fez diversas filmagens e entrevistas. Cerca de metade do programa foi centrado em Jerry Falwell e Liberty. A tentativa,foi mostrar a ascensão do fundamentalismo cristão nos Estados Unidos, e seu envolvimento com a política e a vida pública.

Falwell sempre advogou que nós cristãos deveríamos estar envolvidos com política e confrontar a cultura secular que tenta a cada dia afastar a nação dos caminhos de Deus. Fica meio difícil para nós brasileiros, entendermos bem uma posição dessas, já que sempre fomos ensinados a separar igreja e estado e a não misturar as coisas.

Mas temos que nos lembrar que os EUA foram fundados por cristãos evangélicos em busca de liberdade religiosa; a declaração da independência e a constituição daquele país estão baseados em princípios bíblicos e no temor a Deus. O que os fundamentalistas cristãos americanos propõe, é uma volta aos princípios de seus fundadores.

O documentário vai ser lançado em DVD muito em breve, e acredito que deve chegar também no Brasil. Fique de olho, pois se trata de uma obra muito bem produzida e que pode suscitar discussões de grande importância no nosso meio.

Um abraço,

Leon Neto